No alto do Black Canyon de Nevada um grupo de homens fazia <i>rapel </i>pela encosta rochosa abaixo. De súbito, um homem  tropeçou na borda do desfiladeiro e despenhou-se em frente dos homens, demasiado depressa para eles o agarrarem — quando outro escalador balançou da rocha e o segurou, salvando-lhe a vida. Depois de transportar o engenheiro pela rocha acima, o salvador voltou ao que estava a fazer como se nada fosse, apenas mais um dia na construção da barragem Hoover. 
No início do século XX, os EUA já se tinham expandido de costa a costa, mas muitas cidades no árido sudoeste continuavam sem abastecimento de água fiável. Embora o Rio Colorado tivesse sido desviado numa série de canais, o seu fluxo irregular e as cheias frequentes tornavam-no pouco fiável para a agricultura. Simultaneamente, as cidades e indústrias crescentes da região precisavam continuamente de mais energia. Assim, em 1922, o Gabinete de Reclamações decidiu resolver todos estes problemas duma só vez, construindo uma enorme barragem hidroelétrica. 
Garantir os direitos da água para o projeto 
exigia uma cooperação sem precedentes entre todos os sete estados ao longo do rio. Mas, depois do acordo dos governos locais, o Gabinete determinou que a estreita garganta do Black Canyon era a mais adequada para  uma barragem em arco gravidade. Este <i>design </i>curva-se a montante, usando a força da água corrente para empurrar a estrutura nos seus suportes — neste caso, as paredes do desfiladeiro. As barragens em arco têm sido construídas desde a Antiguidade, mas nunca numa dimensão tão grande. Quando completa, a estrutura  teria 221 por 379 metros. 
Teria precisado de uma enorme mão de obra 
para construir uma barragem tão grande. Quando a Grande Depressão ocorreu um ano depois da aprovação do projeto, milhares de famílias, à procura de trabalho, começaram a acorrer ao local. As primeiras que chegaram viviam num acampamento chamado Ragtown. Sem infraestruturas,  com escassos abastecimentos, e pouca proteção contra os elementos, vários residentes morreram com insolações. Assim, para alojar melhor os trabalhadores, o governo projetou e construiu a Boulder City, ainda florescente, completa, com muitas comodidades, incluindo um hospital moderno. 
Antes de a construção da barragem  poder começar, o rio teve de ser redirecionado. Construir os túneis de diversão exigia dinamitar de cada lado do desfiladeiro para criar tubos com 17 metros de altura. Com um comprimento combinado de quase cinco quilómetros, estes túneis podiam desviar cerca de 5600 metros cúbicos de água por segundo. Contudo, os trabalhadores enfrentavam condições extenuantes para os acabar a tempo, e dezenas sucumbiram ao calor abrasador. 
No outono de 1932, o rio já tinha sido desviado com êxito. Mas o trabalho mais perigoso ainda estava para chegar. Era preciso limpar mais de um milhão  de metros cúbicos de pedras soltas das paredes do desfiladeiro. Assim, os capatazes foram buscar alpinistas que desciam as rochas em cordas removendo o cascalho com martelos pneumáticos e dinamite. De acrobatas de circo  e antigos marinheiros a apaches locais estes indivíduos que desafiavam a morte realizaram algumas  das obras mais perigosas — e mais fascinantes — no local. 
Depois de limpas as paredes, 
chegou finalmente a altura de construir a barragem. Isso exigiu despejar cerca de 6,6 milhões de betão — o suficiente para pavimentar uma estrada através dos EUA. Mas uma quantidade tão grande de betão despejada de uma só vez demoraria demasiado tempo a arrefecer e a endurecer. Por isso, para acelerar este processo, o betão foi despejado em blocos interligados de diversas dimensões, cada um deles contendo tubos de aço  através dos quais corria água fria. Em 1935, a maior parte da estrutura estava pronta, dois anos antes do prazo. A 1 de fevereiro,  abriram-se os túneis dos desvios para encher o reservatório da barragem, que podia conter o dobro do fluxo anual do Rio Colorado. 
Depois de pronta, a barragem era a estrutura artificial mais alta do mundo. Contudo, a velocidade da construção foi à custa da segurança dos trabalhadores. Embora o projeto tenha utilizado cerca de 21 000 americanos durante uma enorme crise económica, morreram mais de 100 pessoas  durante a construção. A criação do reservatório também destruiu comunidades como St. Thomas e devastou o ecossistema do Rio Colorado. Hoje, a barragem Hoover gera cerca de 4000 milhões de kW-hora, por ano, fornecendo eletricidade a mais de 1,3 milhões de pessoas. Mas as consequências da sua construção continuam a lançar uma sombra nesta estrutura monumental. 
