Masculino, feminino. Cristão, judeu, muçulmano, ateu. Branco, negro, asiático,  caucasiano, árabe. Liberal, conservador,  libertário, progressista. Cisgénero, transgénero, heterossexual, Homossexual, <i>gay</i>,  não-binário, ”<i>a-gender</i>“. Tudo isto são rótulos. Eu tenho alguns e vocês poderão ter alguns. Mas o que são rótulos, exatamente? O dicionário Merriam-Webster define rótulos como uma palavra ou frase descritiva ou identificativa. Desde os primórdios da linguagem humana, encontramos formas de nos categorizarmos uns aos outros, de coisas simples como “nós” e “eles”, “família”, “membro da tribo”, “cidadão”, “estrangeiro” e “inimigo” até rótulos mais complexos para descrever ideologias políticas, religiões ou até interesses pessoais. “G<i>eek</i>“, “machão”, “mãe galinha” e ”<i>workaholic</i>" são usados por todos. Alguns dos rótulos que eu uso incluem “feminino”, “asiático-americano”, “pais”, “filha”, “irmã“, “transgénero”, ”<i>pansexual</i>“, ”<i>nerd</i>" e “aviador”. Os rótulos têm mais poder do que uma simples definição pode descrever. Olhando para o mundo atual, os rótulos têm levado a uma maior divisão, marginalização e ódio. De acordo com o FBI, os crimes de ódio estão a um nível mais alto do que nos últimos 10 anos. As pessoas têm sido atacadas por serem asiáticas. Aumentaram as vítimas da desinformação durante a ascensão da COVID-19, ou foram usadas como bode expiatório para a incapacidade de um jovem em controlar os seus impulsos sexuais na Geórgia em março deste ano. Quando eu tinha seis anos  e andava no pré-escolar, fui sujeita pela primeira vez a uma série de ofensas e ataques raciais devido à minha ascendência asiático-americana. Quando descobri os computadores e tinha boas notas em matemática, era perseguida devido aos estereótipos. Ainda hoje, luto para escapar àqueles que usam este rótulo para me magoar, simplesmente porque eu nasci com ele. Outros, como os judeus, têm sido atacados pela sua religião. O antissemitismo existe há milhares de anos, desde os antigos gregos e romanos, à expulsão dos judeus de várias nações na Idade Média, até mais recentemente, ao Holocausto — a solução final da Alemanha nazi. O Pew Research Center tem estudos que indicam uma crescente divisão partidária a nível político. O número de Democratas e Republicanos  dispostos a chegar a acordo em conjunto é o mais baixo da história moderna. A comunidade LGBTQ+ tem enfrentado ataques legislativos em todo o mundo das chamadas “zonas isentas de LGBT” na Polónia a mais de 80 projetos-lei  apresentados aqui nos EUA. Os que fazem parte desta comunidade  têm sido particularmente vulneráveis. Militares transgénero, tal como eu, têm sofrido avanços e retrocessos na política, transacionados como se fôssemos cromos de futebol, e não seres humanos que querem servir o nosso país. E, como vimos no último ano, apesar dos ganhos na igualdade legislativa decorrentes da 13.ª Emenda que aboliu a escravatura, e a Lei dos Direitos Civis de 1964, temos todos um longo caminho a percorrer para tratar do racismo sistémico e séculos de injustiças nos EUA. Das partes integrais da identidade como o género, a identidade de género, a orientação sexual, as etnias, até aos grupos de que escolhemos fazer parte, como partidos políticos,  alinhamento político ou religião. rótulos de paz, estes grupos têm-nos dividido a um nível alarmante. Os rótulos podem separar-nos. Podem incentivar uma mentalidade “nós contra eles”, levando a uma competição nociva. Podem levar a assédio,  discriminação, fanatismo, agressões, e até homicídios. Os rótulos usados incorretamente podem ser perigosos. No entanto, os nossos rótulos também podem trazer benefícios. Quando eu tinha sete anos, descobri que a minha identidade de género não correspondia ao que me fora atribuído. Apesar da minha certidão de nascimento dizer “masculino”, todas as partes do meu ser  diziam que aquilo estava errado, que eu era uma menina. Mas, quando eu tive essa perceção em 1989, eu não fazia ideia do que significava aquele sentimento para mim. Estava confusa. Estava assustada. Pensava que havia algo de terrivelmente errado em mim. Eu não tinha a Internet para procurar pistas. Não havia representação nos “media” que me pudesse inspirar e guiar. Eu estava só. Lutei contra estes sentimentos durante quase 20 anos até encontrar a palavra “transgénero”. De repente, tornou-se claro quem eu era e o que eu era, pela primeira vez na minha vida. Para além disso, descobri  que fazia parte de uma comunidade: A comunidade LGBTQ+. Encontrei mentores, amigos, e pessoas que agora considero serem família. Posso ir a qualquer cidade importante, e a muitas das mais pequenas e, com uma pesquisa rápida na Internet, encontro centros comunitários e locais sociais que estão focados em tornar a minha comunidade segura e acolhida. Este rótulo, que se tornou tão controverso no nosso país, tornou-se numa forma  para eu me aceitar tal como sou e sentir que faço parte duma coisa maior do que eu. Isto pode ser assim para outros rótulos. Os membros de uma religião em particular podem encontrar comunhão entre eles. Cartazes, redes sociais e pesquisas no Google podem ajudar qualquer um. Cristãos evangélicos, católicos, batistas, muçulmanos, e fés como o Rastafarianismo, o Zoroastrianismo e o Wicca encontrarem locais de adoração em novas zonas. Aqueles que aderem a certos partidos políticos ou ideologias podem conectar-se mais facilmente e encontrar pontos em comum. Locais como o Reddit têm comunidades para pessoas que seguem quase todos os sistemas políticos e ideologias que nos separam. As profissões têm os seus próprios rótulos. Um que ganhei na minha vida é Aviador. Eu alistei-me na Força Aérea  dos EUA em 2004. Ter esse rótulo ligou-me a um grupo de indivíduos com muitos objetivos e interesses em comum. Tenho conseguido conectar-me com membros que estão atualmente ao serviço e com veteranos. Encontramos apoio neles. Pessoas com culturas comuns, histórias comuns podem juntar-se e celebrar aquilo que os torna especiais. Grandes cidades são anfitriãs de dias ou semanas em que todos os membros da zona local se juntam e partilham música, comida, roupas, danças e outros aspetos de várias culturas diferentes. Os rótulos, no seu pior, podem criar divisões entre nós quando promovem uma mentalidade de “nós contra eles”, quando se viram para a categorização que pessoas como eu são boas, mas quem não é como eu é o inimigo. Os rótulos levam ao negativo, como ao assédio ou à discriminação, Separam-nos e levam-nos a viver uma vida sem nada de bom, que perspetivas diferentes provocam, Mas, no seu melhor, os rótulos descrevem as coisas que nos ligam uns aos outros. Quando trabalhamos em equipa, quando adotamos um rótulo para a equipa, conseguimos realizar coisas mais importantes do que as que conseguimos sozinhos. O meu rótulo de transgénero ligou-me a uma comunidade que me aceitou, deu-me conselhos e ajudou-me a aceitar quem eu sou. Ser uma asiático-americana, mais  especificamente, uma coreano-americana, liga-me a uma cultura rica e profunda que amplia as minhas perspetivas e permite-me ensinar aos meus filhos as suas raízes. Os rótulos permitem-nos  unirmo-nos em grupos e em comunidades que nos permitem crescer e ter mais conhecimentos sobre as nossas histórias, as nossas culturas, e como desenvolver estratégias para sermos mais bem sucedidos. Os rótulos não são  totalmente bons ou mais. Como qualquer ferramenta, podem ser usados para construir e criar coisas incríveis, destacando o que considero ser uma das coisas mais importantes que a Humanidade desenvolveu: os laços comunitários. Mas, usados indevidamente, também conseguem causar muita destruição. Se nós, enquanto indivíduos, optarmos por usar os rótulos com responsabilidade, conseguimos alcançar juntos coisas mais importantes do que alguma vez faríamos isoladamente. 
