O meu nome é Alicia, é um orgulho ter o nome da minha avó. Como obstetra, ela dedicou  a sua vida à saúde feminina, numa época em que as mulheres  raramente tiravam o curso de medicina. Morreu por causa de um ataque cardíaco, quando eu tinha 13 anos. Quando uma das minhas cofundadoras, a Monica, tinha 12 anos, ela estava à espera que a mãe a fosse buscar à escola. Só que isso não aconteceu, porque a sua mãe, uma médica de 44 anos, tinha morrido inesperadamente,  vítima de um AVC. 
Infelizmente, as nossas histórias são comuns. Problemas cardíacos e AVCs são as causas principais de mortes  e deficiências a nível mundial. E para as mulheres, não só estes problemas são mais difíceis  de reconhecer, diagnosticar e tratar, como também têm um maior risco de morte, após um ataque cardíaco ou um AVC. 
Há cerca de 44 milhões de mulheres nos EUA com problemas cardíacos, e a incidência em mulheres com menos de 65 anos está a subir. O que se está a passar? A resposta está na interseção de 2 áreas: dados e equipamento médico. Vamos olhar primeiro para os dados, ou a falta deles. 
Quando estava a fazer  investigação cardiovascular na MIT, tinha acesso a grandes conjuntos de dados. Perceber que as mulheres eram  um dos subgrupos mais subrepresentados foi revelador. De facto, as mulheres eram excluídas de ensaios clínicos cardiovasculares até à sua inclusão obrigatória em 1993  ordenada pelo NIH. É por isso que as tecnologias e terapias são frequentemente insuficientes, uma vez que foram desenvolvidas usando principalmente os dados de animais machos e homens. E à medida que a inteligência artificial ajuda a acelerar a saúde digital, há o perigo de os algoritmos treinados  com dados e preconceitos masculinos perpetuarem este problema. 
Vejamos agora os equipamentos médicos. A ideia de que um modelo serve para todos não tem em atenção o facto  de problemas cardíacos e AVCs poderem ser diferentes em mulheres. Muitas vezes, os limiares femininos  não são programados. Artérias mais pequenas  não se conseguem ver, e sistemas de monitorização clínica fracos não podem acomodar dois tipos  de corpos diferentes ou fases da vida. 
No século XIX, Amelia Bloomer liderou um movimento contra espartilhos nocivos, levando à criação de roupa  mais confortável e prática para mulheres. Ela inspirou-nos a pensar: E se conseguíssemos solucionar os problemas dos dados e dos equipamentos ao usar uma peça de roupa que as mulheres  já usam todos os dias? E se uma peça de roupa criada  para ajudar mulheres pudesse também reforçar a sua saúde? 
A nossa ideia é transformar  o sutiã comum num salva-vidas. Fazemo-lo assim. Isto é a nossa plataforma de roupa reforçada. Dá às mulheres a capacidade de obter dados fisiológicos  de forma contínua e remota. Ao usar estes sutiãs, as mulheres podem ver informações e padrões e manter diários automáticos nos seus telemóveis, dando-lhes uma maneira simples  de identificar sintomas e recolher dados importantes  para partilhar com os seus médicos para deteção precoce e monitorização acertada. Até pode avaliar a segurança  e eficácia de certas terapias. 
Construímos sensores têxteis  de qualidade médica que se conseguem adaptar  a múltiplos estilos e tamanhos de sutiãs para dados contínuos, de confiança e consistentes, que cobrem o tronco e o coração. Seguimos o ritmo cardíaco, respiração, temperatura, postura e movimento, e através de algoritmos, podemos usar estes dados para descodificar sintomas, articular acionadores de arritmias e gerar biomarcadores digitais personalizados. 
Ao invés de biomarcadores tradicionais, como sangue, que tiram um retrato na hora, os biomarcadores digitais funcionam mais como um vídeo, usando dados recolhidos ao longo do tempo para explicar, influenciar e até prever resultados de saúde. Têm o potencial de facilitar cuidados imediatamente. Não há mais tempo de espera por resultados. A mulher tem os dados disponíveis quando precisa mais deles. 
Com tecnologia de qualidade médica tão fácil como usar um sutiã, podíamos recuperar o atraso, reduzir a disparidade dos dados, permitir uma participação mais fácil em ensaios clínicos e trazer os cuidados de saúde das mulheres para o século XXI. Quantas mais mulheres usarem estes sutiãs reforçados, mais rápido conseguiremos criar um conjunto de dados relevante e inclusivo sobre a saúde feminina. 
Coletivamente, estes dados podem levar a inovações em diagnósticos e terapêuticas digitais para resolver alguns dos maiores desafios de cuidados de saúde que a humanidade enfrenta. 
Com os nossos dados biológicos únicos, a nossa capacidade de recolher cada vez mais dados e a nossa capacidade de aprender com eles usando IA, o sonho de haver uma medicina sem preconceitos e totalmente pessoal pode ser alcançado. E isso, claro, beneficia-nos a todos. 
Obrigada. 
(Vivas e aplausos) 
