Quando eu era miúda,  percorria as margens do Lago Chad, um dos maiores lagos em África. Existe há séculos, e toca em quatro países: o Chade, o Níger, os Camarões e o meu país, a Nigéria. Na altura, parecia-me um mar, com 30 milhões de pessoas dependentes das suas riquezas. 
Infelizmente, hoje, quando sobrevoamos o Lago Chade, não vemos grande coisa. Tem uma fração da sua dimensão original. Uns 90% desta bacia de água doce secou, e com ela, milhões e milhões da subsistências de agricultores de pescadores e das nossas mulheres vendedeiras. A alteração climática ainda faz mais uma outra vítima. 
Adicionem agora outro acontecimento de clima extremo o Harmattan. O que era outrora uma curta estação de três meses de poeira e vento, segundo me disse um agricultor, as tempestades de poeira chegam mais cedo e são maiores de ano para ano. Uma única tempestade pode destruir toda uma cultura de um ano de um dia para o outro. Qual é o custo humano e ecológico? Mais postos de trabalho perdidos. Fome. Famílias deslocadas. Uma perfeita tempestade para uma pobreza arrasadora. E mais ainda, infelizmente, a violência. Assim, é um problema cultivar alimentos atualmente na bacia do Lago Chade, que também se tornou um terreno fértil para os extremistas assentarem arraiais, semeando o caos e acabando com a paz. 
Infelizmente, procurem  qualquer local no mundo e ouvirão contar mais histórias trágicas de devastação climática. Secas, cheias, incêndios. Vidas e formas de vida em risco, à beira da catástrofe. Contudo, apesar de tudo isso, ainda tenho esperança na nossa família humana. E perguntarão porquê. É a nossa capacidade de empenho humano para sobreviver contra todas as adversidades. A capacidade que criou a promessa extraordinária do Acordo de Paris da ONU e o poder de estipular as 17 Metas para o Desenvolvimento sustentado para os povos e para o planeta. Sabemos que a promessa de Paris pretende limitar  o aquecimento global a 1,5 graus para garantir que sobrevivemos enquanto família humana. Para lá chegar, sabemos exatamente o que temos de fazer. Temos de descarbonizar a economia mundial até 2050 através da redução para metade das emissões nesta década. Temos de acabar com o carvão faseando o carvão nos países ricos até 2030 e noutros países, até 2040. Os G20 produzem 80% de toda a poluição dos gases com efeito de estufa, e, por isso, esses 20 líderes mundiais, também têm, de assumir a responsabilidade e liderar. Temos de deixar de gastar biliões a subsidiar os combustíveis fósseis, entupindo os pulmões das populações e destruindo florestas e oceanos. Temos de proporcionar os recursos de que precisamos para uma transição verde e azul. Sabemos que estes são todos ingredientes essenciais para cumprir o Acordo de Paris. 
Agora, tentem reimaginar comigo como pode ser este percurso para emissões de zero líquido através de outras lentes. Umas lentes que se foquem no investimento nas pessoas para alcançar o seu potencial enquanto protegemos a nossa casa, o planeta Terra. A descarbonização, um veículo poderoso para a ação climática mas também para as 17 Metas de Desenvolvimento Sustentado. Vou dar-vos um exemplo de como pode ser. 
A Grande Muralha Verde, uma ideia que nasceu em África há 10 anos, na borda do Saara. Pretende parar com a desertificação e repor 100 milhões de hectares de terras degradadas do Senegal no ocidente a Jibuti no Corno de África. É um plano ambicioso para plantar 100 milhões de árvores, melhorar a recolha de água e o uso da terra. Claro que o clima beneficiará imenso mas trata-se muito mais do que manter a poeira no deserto. Trata-se de criar  um grande corredor verde económico para mais de 500 milhões de pessoas. Homens, mulheres, crianças. Um corredor que crie cadeias de valor locais, reforce economias e fomente uma força de trabalho jovem, e de crescimento rápido. À medida que a oportunidade económica aumente, a esperança do futuro torna-se uma realidade para milhões de vidas. O espaço para o terrorismo, para o extremismo, diminui, 
A Grande Muralha Verde inspira-me porque é um percurso do potencial humano. Um potencial para amplificar  o profundo saber dos povos indígenas que sobrevivem e prosperam em harmonia com a Natureza. Um potencial para utilizar a tecnologia, para ligar e criar pontes na divisão da energia renovável, sobretudo para as mulheres e as raparigas. O potencial para transformar os sistemas alimentares de formas que tornem as pessoas e os planeta mais saudáveis. 
Então, o que é que nos detém? O que será necessário para este potencial se tornar uma realidade viva e partilhada? Seria fácil para mim dizer: o dinheiro. Por isso, vou dizê-lo. Dinheiro, mais dinheiro. 
(Risos) 
É uma parte importante da solução. Precisamos de aproveitar o compromisso que tivemos em Paris de 100 mil milhões de dólares. E que foi prometidoanualmente. Países ricos, vou dizê-lo aqui e agora, estamos de olhos em vocês, para o negócio incompleto. Temos de nos apressar e fazê-lo com urgência. O outro ingrediente necessário é a solidariedade. Por vezes, isso parece estar numa situação de grande escassez. Mas sabemos que ela existe. Afinal, foi a solidariedade que forjou o Acordo de Paris. Foi a solidariedade que nos deu o Protocolo de Montreal. E vemos que a camada de ozono se salvou e o nosso mundo está a curar-se, Mas precisamos de reacender esse espírito e precisamos de o fazer já. 
Ainda não é tarde demais, mas a janela de oportunidade está a fechar-se. o que me traz de novo a vocês. Vocês são a razão de eu ter esperança. Vezes sem conta, temos visto que, quando as pessoas elevam as suas vozes, esse coro torna-se  demasiado premente e demasiado ruidoso para os líderes o ignorarem. Esse coro para uma ação climática agressiva está a crescer, mas caminha aos soluços. A alteração climática não para, e nós também não podemos parar. Eu verifiquei que todas as pessoas nesta sala e todas aquelas que nos veem <i>online</i>, professores, presidentes, acionistas, diretores executivos, cientistas, empregados, mães e pais, todos sem exceção na Terre, são um cidadão deste planeta. Chegou a altura de nos erguermos. Com a coragem das nossas convicções, levantar de novo as nossas vozes e exigir aos nossos líderes que atuem na promessa de um mundo de só mais um grau e meio. 
Amigos, chegou a altura de fazer barulho a sério para transformar o nosso mundo. Neste momento, há outra rapariga, talvez seja Kolu, talvez seja Aisha, talvez seja Farima, a passear pelas margens do Lago Chade. Ela olha para o horizonte e pensa no lhe trará o futuro. Será um oceano de oportunidade? Talvez. Ou será uma terra árida de poeira até onde o olhar alcança? Ela faz esta pergunta a todos os líderes que têm o futuro dela nas mãos deles e ela também pergunta o mesmo a todos nós aqui hoje e em todo o mundo, 
Chegou a altura da verdadeira ação. A escolha é nossa. Individualmente, coletivamente. O que é que vão fazer? 
Obrigada. 
(Aplausos) 
