Das 500 maiores empresas dos EUA, só 42 têm mulheres como diretoras-gerais. E se olharmos para outros países, os dados são semelhantes e, nalguns casos, piores. E, claro, há vários fatores que contribuem para a desigualdade de género no local de trabalho. Mas creio que há um fator muitas vezes subestimado que é a menopausa. 
O que quero dizer? Muitas mulheres chegam a posições de liderança nos seus 40 ou 50 anos. A idade média de um diretor-geral é na casa dos 50s. A perimenopausa, ou seja, a transição para a menopausa, geralmente também ocorre entre os 45 e os 55 anos. É quando os sintomas começam realmente e pode durar até 10 anos. Portanto, é quando uma mulher avança e toma as rédeas, a ganhar no seu potencial mais elevado, que pode sentir que o seu corpo a está a trair. 
Para quem não saiba — e é o que acontece com muitas de nós — eu tive a minha primeira conversa com a minha mãe sobre a menopausa nos últimos anos — é importante. E não é importante só para as mulheres com mais de 45 anos. As não-binárias, as transmasculinas e as mulheres mais jovens todas podem enfrentar sintomas de menopausa. Que sintomas são esses? Podem ser físicos, como os afrontamentos, dores nas articulações, incontinência urinária, períodos intensos. Podem também ser mentais: ansiedade, depressão, crises de falta de confiança, dificuldades em dormir. Imaginem, 10 anos com dificuldades em dormir. A lista é longa e os sintomas  podem variar, portanto nunca sabemos bem o que esperar. Mas não se iludam: são significativos. 
Tão significativos que, num estudo da Vodafone em cinco países, descobriu-se que 60% das mulheres que lidam com sintomas de menopausa dizem que isso teve impacto no trabalho. Noutro estudo no Reino Unido, 30% das mulheres dizem ter faltado ao trabalho devido aos sintomas. E, em casos extremos, as mulheres fazem escolhas sérias sobre a carreira. Até 11% renunciaram a uma oportunidade de promoção, e até 8% demitiram-se das suas posições por causa dos sintomas da menopausa. 
O meu fascínio com a liderança feminina e o fosso óbvio começou como consultora estratégica em conselhos de administração pelo mundo. Em mais de 10 anos, consigo contar pelos dedos duma mão o número de mulheres que vi com mais de 50 anos em posições executivas quer fosse em Seattle ou no Dubai, em Lagos ou em Nova Iorque, eram escassas as mulheres em lugares de topo. Comecei a olhar em redor e a questionar o sistema em que estava, a interrogar-me que oportunidades existiam realmente. As mulheres no topo eram excecionais. A fasquia parecia ser inalcançável. Então comecei a falar com as minhas amigas e colegas na casa dos 40s e 50s. Falavam de coisas que eu conhecia: equilibrar um trabalho sério, adolescentese cuidar de pais idosos. Mas nalguns casos, amigas próximas abriram-se. Falavam de como o corpo e a mente estavam a mudar e do impacto da menopausa em muitos aspetos da sua vida, incluindo o trabalho. Foi nessa altura que percebi que, se eu queria fazer a diferença para as mulheres no trabalho para podermos trabalhar durante o tempo que quiséssemos, era preciso melhorar a assistência na menopausa. 
Acredito que o trabalho pode ter um papel importante em melhorar a experiência das mulheres que lidam com sintomas de menopausa. E pode parecer um lugar-comum, mas começa mesmo com a sensibilização. Isso significa mudar a configuração física dos escritórios, redefinir expetativas na cultura de trabalho e atualizar as políticas de assistência médica. 
Primeiro: sensibilização. Já que não aprendemos quase nada sobre a menopausa na escola, nas notícias, na cultura pop, é impossível esperar que até o gerente com as melhores intenções tenha alguma ideia de como ser solidário. Muitas sociedades exercem muita pressão nas mulheres para parecerem jovens, felizes e dinâmicas a toda a hora. Todo esse esforço investido em fingir que não estamos a passar por um processo natural de envelhecimento  é uma perda de tempo. Enquanto isso, um dia na vida de uma mulher na menopausa pode ser correr para a casa de banho à espera que passe um afrontamento, procurar toalhetes para a transpiração que apareceu do nada quando toda a gente está cheia de frio, saltar uma reunião ou mandar outra pessoa porque uma onda de ansiedade fê-la sentir que não conseguia aguentar, ou falhar toda uma viagem de negócios porque a menstruação intensa tornou impossível sair de casa. Uma forma de sensibilizar é trazer a discussão para o local de trabalho. Muitas empresas já oferecem programas de formação sobre coisas como diversidade e inclusão, anti-assédio, conversas sobre saúde mental ou licença parental. Vamos normalizar a conversa sobre a menopausa, convidando pessoas de todos os géneros e idades a compreender o que acontece neste processo natural de envelhecimento, para se poder aprender como ser solidário. 
A seguir é a configuração física e as expetativas na cultura de trabalho. Por exemplo, os escritórios sem paredes são um desastre por muitos motivos: não é possível controlar a temperatura, não têm portas para fechar quando se tem um afrontamento ou se precisa de um momento para acalmar. Claro que não se pode alterar toda uma planta da noite para o dia. Mas provavelmente há coisas que se podem fazer, sejam ventoinhas de mesa, disponibilidade de produtos menstruais, deixar alguém mudar a secretária para mais longe do aquecedor ou ter algumas salas com algumas portas que se possam fechar se precisarmos de nos acalmar. São tudo boas ideias. Em situações em que as mulheres usam uniformes no trabalho, atualizar o corte para um tecido mais fino, torná-lo mais respirável ou até absorvente de suor pode fazer uma grande diferença no conforto feminino, bem como ter disponíveis alguns extras se for preciso uma mudança rápida durante o dia. 
Para quem pode trabalhar à distância, pode tornar-se mais fácil dar exemplos de coisas a dizer a um chefe quando os sintomas ficam descontrolados. Por exemplo: “Estou a ter um dia muito difícil devido aos meus sintomas, “e está a ser difícil para mim ter o melhor desempenho no escritório.” Nos casos em que tal não é possível, ser capaz de dizer coisas como: “Preciso de ter mais pausas hoje em vez de uma longa pausa” ou “Espere um momento, estou a ter um afrontamento.” Acredito verdadeiramente que uma maior abertura neste assunto, bem como a tolerância num escritório relativamente a horários ou mais pausas fará uma enorme diferença em manter as mulheres e levá-las a superar  o próximo obstáculo de promoção. 
E há a assistência médica, que é talvez o mais importante. Em muitos casos, o local de trabalho fornece parcial ou totalmente assistência médica. Portanto, há uma oportunidade de incluir diretamente a menopausa. Pode beneficiar as mulheres a terem acesso a informação real sobre as opções de tratamento disponíveis e quais os médicos ou especialistas que poderão querer consultar, sejam ginecologistas, endocrinologistas, fisioterapeutas pélvicos ou psicólogos. A menopausa é uma situação altamente complexa e individualizada, e ter acesso a profissionais de saúde de grande qualidade que possam informar sobre as opções de tratamento e ajudar a decidir o que queremos fazer é crucial. Em muitos casos, o seguro cobre isto, ou os sistemas nacionais de saúde têm isto disponível, mas pode ser difícil, e todos os sintomas fazem com que encontrar o médico certo seja moroso e desgastante. Tal como temos recursos em saúde para o que esperar quando vamos ter uma criança e como sermos bons pais, precisamos de melhores recursos em saúde para o que esperar na perimenopausa e apoiar toda a transição. 
Cada local de trabalho é diferente, e nem todas as empresas terão a mesma abordagem em relação à menopausa. Mas, pelo menos, aumentar a sensibilização e demonstrar alguma empatia pode custar pouco. Só este ano, ouvimos várias empresas fazer anúncios sobre impulsionar a liderança feminina para o topo, e isso é ótimo. E serão precisos muitos esforços coordenados para lá chegar. Mas qual o primeiro passo? Levar a menopausa a sério. 
Obrigada. 
