Todos os pais são pais trabalhadores, quer tenham um trabalho fora de casa, quer não. 
[A forma como trabalhamos] Quando Angela chega ao escritório, ela já está levantada há pelo menos três horas, teve as mãos sujas de excrementos humanos, libertou uma criancinha que tinha ficado entalada entre a máquina de lavar e a parede, pôs-se de gatas e apanhou a papa de aveia do tapete. Trabalho doméstico, que é o que os pais fazem para além de criar os filhos. Não é só tomar conta duma criança; é manter um lar a funcionar. lavar a loiça, tratar da roupa, cumprir os horários rigorosamente. Partimos do princípio que esse trabalho é feito por uma mulher que está em casa. 
A realidade progrediu para além do que são uma política sensata. A maioria das pessoas precisam de várias fontes de receitas, as mulheres querem trabalhar fora de casa — e continuamos a esperar que elas façam todas as mesmas coisas. Agora, subcontratamos muito  do trabalho que compete aos pais a outras mulheres, sobretudo a mulheres de cor. Não lhe damos valor financeiro, cultural, e, por isso, não o consideramos um trabalho a sério. 
Os cuidados são a espinha dorsal da nossa sociedade. Esse trabalho é o que torna possível todos os outros trabalhos. Então, como devemos apoiar os pais no local do trabalho? 
[Apoiem a licença parental] 
Só há dois países industrializados em todo o mundo que não garantem qualquer licença parental paga, e os EUA são um deles. Devemos invejar o Gana, o Brasil, a Turquia, a Sérvia, o Japão, o Reino Unido, a Noruega, os Países Baixos, a Suécia — estamos atrás do mundo nesta matéria. Quando falo de licença parental, não estou a falar só da licença de maternidade ao recém-nascido. Também incluo a licença de paternidade, para todos os géneros, para as famílias que recebem uma criança em casa, para as pessoas  que recebem filhos adotivos, ou que tomam conta de pais idosos. A certa altura da nossa vida, alguém que amamos e com quem nos preocupamos vai precisar de ajuda. Devemos ter o direito de ter tempo para cuidar deles. As pessoas fazem o seu melhor trabalho quando se sentem apoiadas pelas pessoas para quem trabalham. É muito simples. 
[Ouçam os pais] 
Ser pai ou mãe é visto com frequência como uma fraqueza no local de trabalho. Voltamos ao trabalho e as pessoas fazem uma série de julgamentos a nosso respeito. Não nos convidam para viagens de trabalho porque pensam que não queremos ou não podemos fazer. E isso pode ser muito incapacitante, é muito desencorajador, e faz com que eles — num período de tempo que já é cheio de <i>stress</i> — possam sentir-se ainda pior. 
[Falem com os pais] 
Perguntar a um colega de trabalho como correm as coisas lá em casa ou com o seu filho, fazer com que as pessoas sintam que não têm de esconder nada. “Como vai o teu puto de dois anos?” Peçam para ver uma foto do filho. 
[Sejam flexíveis] 
Para os pais, as horas entre as 5 e as 8 da tarde são fundamentais. Pode ser a única altura que estão com os filhos. Muitas vezes têm de ir a correr buscá-los algures ou libertar alguém que está a cuidar das crianças. Eu preferia enviar alguns <i>emails </i>às 20h30  do que atender uma chamada às 17h00. Por isso, acho que realçando e criando uma cultura do trabalho onde é o trabalho que é feito, é o trabalho que é importante, é o resultado final que importa, em oposição a fazer cumprir um horário de forma tradicional, e abrir linhas de comunicação em relação ao que pode ser benéfico. Dar a saber a um colaborador que tem o vosso apoio se ele disser que uma reunião às 16:45 não lhe dá jeito, e vocês dizem que a vocês também não dá, certo? Uma coisa que mostre solidariedade. 
[Oh, sim...] 
Outra coisa, enquanto antiga mãe  que amamentava num escritório, uma mãe que bombeia, devo dizer que, se quiserem limpar a fundo o frigorífico de vez em quando, isso é maravilhoso para uma mãe que bombeia o leite, coisa que eu fazia no meu escritório. Eu costumava pôr a pequena geleira que continha o meu leite materno entre frascos de tempero para salada com anos, pad thai que já estava petrificado, só coisas nojentas. Ninguém devia ter de fazer isso, certo? Mais uma vez, uma coisa bem simples que faz uma grande diferença. 
Esforçando-nos por sermos tão eficazes quanto possível, por realizar e produzir tanto quanto possível, afastámo-nos da noção de que os cuidados e ser pai ou mãe são um trabalho importante. Mas temos de falar sobre estas coisas e trazer para a luz do dia a vida parental e familiar porque não conseguimos corrigir problemas que não vemos, problemas de que não falamos. Não é preciso ser tão difícil e é possível fazer bem mais para ajudar as pessoas. 
