Quem sou eu? Quem é quem, na verdade? 
Quando acordo de manhã e abro os olhos, aparece um mundo. Ultimamente, como não vou a lado nenhum, é um mundo muito conhecido: há o guarda-roupa ao fundo da cama, as janelas com os estores fechados e o som das gaivotas, que enlouquecem os moradores de Brighton, como eu. Mas ainda mais familiar  é a experiência de ter um ego, de ser eu, que entra em cena quase no mesmo instante. 
Esta experiência de ter uma  consciência própria é tão normal que acontece, muitas das vezes,  sem sequer nos apercebermos. Damos isso como garantido, mas não devíamos. As coisas não são o que parecem. Para a maioria de nós, na maior parte do tempo, parece que o nosso ego  é uma unidade consistente e duradoura, em essência, uma identidade própria. Talvez pareça que o ego vai recebendo perceções em vagas após vagas, como se o mundo estivesse  a derramar-se para dentro da mente através das janelas  transparentes dos sentidos. Talvez pareça que o ego  é que está a tomar decisões, a decidir o que fazer  a seguir e executá-lo, ou, como pode acontecer,  fazer uma coisa diferente. Nós sentimos, pensamos e agimos. Isto é o que parece. 
Mas a verdade é muito diferente, e a história de como  e porque isso acontece é um pouco o que vos quero trazer hoje. Nesta história, o ego  não é aquilo que perceciona. O próprio ego também é uma perceção, ou melhor, é uma série  de perceções relacionadas entre si. Experiências do eu e do mundo acabam por ser uma espécie de alucinações controladas, conjeturas do cérebro que se mantêm ligadas ao mundo e ao corpo não por serem corretas, mas por serem úteis, por nos ajudarem a mantermo-nos vivos. 
A ideia básica é simples, e é muito antiga  na ciência e na filosofia — tão antiga como Platão — e as sombras causadas pelo fogo nas paredes da caverna, sombras que os prisioneiros no seu  interior achavam ser o mundo real. 
A informação sensorial em estado bruto, as ondas eletromagnéticas que chegam às nossas retinas, as ondas de pressão que atacam  os nossos tímpanos, e assim em diante, são sempre ambíguas e incertas. Mesmo refletindo coisas que existem mesmo no mundo, refletem-nas indiretamente. Os olhos não são janelas transparentes  de um eu que olha para o mundo, nem os ouvidos, nem nenhum dos nossos sentidos. A perceção do mundo que nos chega  a cada momento consciente — um mundo cheio de objetos e pessoas, com propriedades  como formas, cores e posições — é sempre criado pelo cérebro, através de um processo  a que chamamos “inferência”, previsões baseadas no funcionamento  misterioso dos neurónios no nosso cérebro. 
Agora... Isto é uma caneca vermelha. Quando tomo consciência que  estou a ver uma caneca vermelha é porque “caneca vermelha”  é o melhor palpite do meu cérebro, dadas as misteriosas impressões  sensoriais que chegam aos meus olhos. Por um momento, pensemos  apenas no facto de ser vermelha. Esta cor existe no mundo? Não, não existe. Não precisamos de neurociência para saber isto. Newton descobriu há muito tempo que as cores que vemos, o arco-íris no espetro visível, são baseadas apenas na medida da onda  de frequência da radiação eletromagnética, que, em si, claro que não tem  cor absolutamente nenhuma. Para nós, seres humanos, todo um universo de cores se forma a partir apenas de três destes comprimentos de onda, correspondentes a três tipos  de células nas nossas retinas. Em termos de cores, nós vivemos  nesta pequena fatia de realidade. A nossa perceção da cor — na verdade, a nossa  perceção de qualquer coisa — é, ao mesmo tempo, menos e mais do que existe mesmo no mundo real. 
Então, o que acontece  quando experienciamos cor é que o cérebro está a detetar padrões, uma regularidade na forma como  objetos e superfícies refletem luz. Está a dar o seu melhor palpite, uma previsão baseada na informação que tem sobre o que está na origem desses sinais sensoriais relevantes, e o conteúdo dessa previsão. É o que experienciamos  como a cor vermelha. Isto quer dizer que o vermelho  está só no cérebro e não no mundo? Bem, não. A experiência de ver o vermelho requer ambos, o mundo e o cérebro, a não ser que estejamos a sonhar,  mas isso não é para agora. Nada no cérebro é mesmo vermelho. Cézanne, o grande pintor impressionista, disse uma vez que a cor é onde  o cérebro e o universo se encontram. 
A conclusão disto é que a experiência da perceção é o que comecei a chamar de, usando palavras de outros, uma “alucinação controlada”. Esta expressão pode ser enganadora, por isso quero clarificar. O que quero dizer é que o cérebro  está constantemente a fazer previsões sobre o que estará na origem  das impressões sensoriais, quer venham do mundo exterior,  quer venham do corpo, e as próprias impressões sensoriais servem para prever erros, detetar diferenças entre o que o cérebro  espera e o que obtém, para que as previsões sejam continuamente atualizadas. A perceção não é uma forma  de ler impressões sensoriais de baixo para cima ou de fora para dentro. É sempre uma construção ativa, uma fantasia neuronal  de dentro para fora, de cima para baixo que está associada à realidade numa dança eterna  entre previsões corretas e incorretas. Eu chamo a isto alucinação controlada para sublinhar este ponto. Todas as nossas experiências são construções ativas que surgem do interior, e há aqui uma ligação entre a perceção normal e o que  habitualmente chamamos de alucinação, em que, por exemplo, há pessoas  que veem e ouvem coisas e outras não. Mas na perceção normal, o controlo é tão importante  quanto a alucinação. As nossas experiências  percetivas não são arbitrárias. A mente não inventa a realidade. Enquanto as cores precisam  da mente para existir, as coisas físicas, como a caneca, existem no mundo, quer  tenhamos perceção delas ou não — é a forma como elas aparecem  na nossa experiência consciente que é sempre uma construção, é sempre um ato criativo  do cérebro a tentar adivinhar. 
E como todos temos cérebros diferentes, todos habitamos o nosso universo  interior distinto e personalizado. 
Eu divaguei para bastante longe de onde começámos, por isso vou voltar ao ego, à experiência de serem vocês, ou de ser eu. A ideia-chave aqui é que a experiência de sermos eu, de sermos qualquer ego, também é uma alucinação controlada, mas de um tipo muito especial. Em vez de lidar com o mundo exterior, as experiências do eu são fundamentalmente sobre a regulação e o controlo do corpo. E o que é importante aqui  é que as experiências de ser um ego são compostas de muitas partes diferentes que normalmente funcionam como um todo, mas que podem separar-se, como nas  desordens psicológicas e neurológicas. Há experiências de ser uma pessoa  contínua ao longo do tempo, com um nome e uma série de memórias formadas pelo nosso  ambiente social e cultural. Há experiências de livre-arbítrio, de querer fazer algo, ou ser a causa  de certas coisas acontecerem. Há experiências de percecionar o mundo de uma perspetiva particular, um ponto de vista em primeira mão. Além disso, há experiências profundamente baseadas no físico, por exemplo, identificar-se  com um objeto no mundo que é o meu corpo. Estas mãos são as minhas mãos. E também, emoções e estados de espírito. E nos níveis basais mais profundos, a experiência  de simplesmente ser um corpo vivo, de estar vivo. O meu argumento é que todos  estes aspetos de ser um ego são perceções conjeturadas de vários tipos. E o aspeto mais básico de ser um ego é essa parte da perceção que regula o interior do corpo para nos manter vivos. 
Começa aqui, mas liga-se a muitas outras coisas. Tudo o que surge na nossa consciência  é uma conjetura da nossa perceção, e todas as nossas  experiências conscientes, sejam do eu ou do mundo, são baseadas na nossa natureza de máquinas vivas. Experienciamos o mundo  à nossa volta e nós dentro dele, com os nossos corpos vivos,  através deles e por causa deles. 
Então, quem são vocês, realmente? Pensem em vocês como sendo como a cor vermelha. Existem, mas podem não ser aquilo que pensam  que são. 
Obrigado. 
David Biello: Eu substituo o público. 
Anil Seth: O David está a bater palmas. 
AS: Isso faz-me sentir melhor. 
DB: Foi fantástico. Obrigado. 
Devo dizer que pensar que o meu cérebro está a flutuar numa prisão feita de ossos é um pouco alarmante. Mas como é que todos esses  milhares de milhões e biliões de neurónios dão origem a esta  experiência de consciência, na sua perspetiva? 
AS: Primeiro, a consciência é experiência, por isso usaria os dois termos como sinónimos, neste caso. É a mesma coisa. Além disso, a ideia do cérebro andar a flutuar dentro de um crânio é supostamente menos alarmante do que estar a fazer outra coisa ou fazer algo fora do crânio. Isso seria mais preocupante. Mas essa pergunta,  claro, é a grande questão. Começamos com uma pergunta simples:  “Como é que tudo isto acontece?” E é por isso que ainda temos  um longo caminho a percorrer. 
E acho que há duas formas de abordar este mistério. A questão fundamental aqui é... O que é que neste mecanismo físico, neste caso, um mecanismo neurobiológico — 86 mil milhões de neurónios e biliões de conexões — que consegue gerar  esta experiência consciente? Visto desta forma, parece muito complicado, porque as experiências conscientes parecem ser o tipo de coisa que não podem ser explicados em termos de mecanismos, por mais complicados que possam ser. Esta é a intuição que David Chalmers  notoriamente chamou de “problema difícil”. A minha abordagem,  que aflorei nesta palestra, é que podemos caracterizar  diferentes propriedades da consciência — o que é uma perceção do mundo exterior, o que é uma perceção do interior, qual é a diferença  entre dormir e estar acordado. Em cada um destes casos, podemos descrever como os mecanismos neuronais  explicam cada uma destas propriedades. 
No que falámos hoje, o principal é o processamento preditivo, é a ideia de que o cérebro codifica um modelo que gera certas previsões das causas das perceções do mundo, e são essas previsões que constituem  a nossa experiência percetual. À medida que desenvolvemos  e testamos explicações como esta, a intuição é que este problema difícil de como e porquê os neurónios,  ou o que seja, no cérebro, conseguem gerar uma experiência de consciência, não será resolvido diretamente, será dissolvido. Irá dissolver-se pouco a pouco  e por fim desaparecerá num sopro de fumo metafísico. 
DB: A Katarina quer falar sobre anestesia, a experiência de ter a consciência um pouco desligada. O que sabemos sobre esta  capacidade de desligar uma pessoa numa questão de segundos? O que acha que está a acontecer aqui? 
AS: Primeiro, acho que é uma das  melhores invenções humanas de sempre. A capacidade de tornar as pessoas  objetos e depois novamente pessoas não quereria viver numa  altura da História sem isso. Quando pensamos coisas como, “Não seria bom viver  na Grécia Antiga ou algo assim, “quando as pessoas andavam  só a filosofar e a beber vinho?” Sim, mas e a anestesia? É essa a minha resposta. Resulta, é uma coisa fantástica. Como? Temos aqui uma ótima oportunidade  de estudo da consciência, pois sabemos o que os  anestésicos fazem a nível local. Sabemos como funcionam em diferentes  moléculas e recetores no cérebro. E claro, sabemos o que acontece no fim, ou seja, que as pessoas perdem os sentidos. E não é o mesmo que dormir. Sob anestesia geral, não estamos mesmo lá. É um nada comparável a antes de nascer ou depois de morrer. A verdadeira questão aqui é: “O que está a acontecer?” Como é que a ação local da anestesia  afeta a dinâmica global do cérebro de modo a explicar esse  desaparecimento de consciência? Para resumir muito, o que parece estar a acontecer é que diferentes partes do cérebro continuam a funcionar em separado, quero dizer que falam menos entre si. O cérebro ainda está ativo, mas a comunicação entre as diferentes  áreas quebra-se de formas específicas. Ainda há muito a aprender sobre estas formas específicas  em que esta desconexão acontece quais são as marcas  da perda de consciência? Há muitos tipos de anestésicos, mas qualquer que seja a variedade que se toma, quando resulta, é isto que se vê. 
DB: Penso que algumas pessoas como a Jasmine e outras ficaram perturbadas por esta ideia  de que aquilo a que chamamos vermelho pode ser uma cor diferente  para nós e para os outros. Há alguma forma de saber  se estamos a alucinar a realidade da mesma forma ou não? 
AS: Mais uma vez, este é um ótimo ponto e vai ao centro da minha visão sobre perceção, porque um dos aspetos da perceção  que penso que será fácil de deixar passar é que as nossas perceções  parecem reais, certo? O vermelho da caneca parece ser independente da mente, uma propriedade que  existe fora no mundo real. Certos aspetos desta caneca  são independentes da mente. A sua solidez é independente da mente. Se eu a atirar para si, David, e atravessar o Atlântico, e não estiver à espera,  vai bater-lhe na cabeça e vai doer. Isso não depende de como vemos, mas o vermelho depende da mente. E na medida em que as coisas dependem da mente elas vão ser diferentes para cada um de nós. Podem não ser muito diferentes. Na filosofia, há o argumento do espectro invertido, que é, se eu vejo vermelho,  os outros veem verde ou azul? Talvez nunca saberemos. Eu não tenho particularmente  muitas bases nessas considerações. Como em muitos exercícios intelectuais, leva as coisas um pouco longe. Eu penso que o que acontece na realidade  quando vemos coisas como cores, é que as vemos parecidas, mas não exatamente iguais, e provavelmente sobrestimamos o grau de semelhança entre os nossos mundos de perceção, porque são filtrados pela linguagem. Isto é, eu usei a palavra “vermelho”  e há muitos tons de vermelho; os pintores diriam: “Que vermelho?” Lembro-me de quando estava  a decorar a minha casa, e “Quero pintar as paredes de branco.” Quantos tons de branco existem? Demasiados. E têm nomes esquisitos, o que não ajuda. Vamos sobrestimar a semelhança  do nosso universo próprio. E penso que é uma  questão muito interessante quanto é que eles realmente divergem. 
Provavelmente, lembram-se  daquele vestido famoso, aquela foto de um vestido que metade do mundo via como azul e preto, e a outra metade via branco e dourado. 
AS: Você é dos que viam branco e dourado? DB: Sim, sim. 
AS: Eu sou do azul e preto. Eu tinha razão, o vestido verdadeiro  é, na verdade, azul e preto. 
AS: Adiante... 
DB: Podíamos discutir isso. 
AS: Não podíamos. É mesmo azul e preto. Eu falei com o estilista.  O verdadeiro é azul e preto. Aqui não há discussão. Mas o que foi tão estranho é que não vemos levemente uma cor ou outra, vemos mesmo aquele azul e preto  ou aquele branco e dourado como se existissem no mundo. E isso foi uma forma interessante de reconhecermos quão diferentes  podem ser os nossos universos de perceção. Na verdade, vamos fazer um estudo em Sussex dentro de um a dois anos, para tentar caracterizar  o grau de diversidade percetual que está ali para ser descoberto. Geralmente, só vemos os extremos, o que se chama de neurodiversidade, em que pessoas têm  experiências tão diferentes, que se comportam de formas diferentes. Mas acho que há esta espécie de grande matéria escura de diversidade individual  na perceção, de que sabemos muito pouco, mas que está lá. 
DB: Estou contente de termos  resolvido um grande debate na Internet e chegado ao lado azul e preto das coisas. A Daniella quer saber “Pode explicar como a memória  está envolvida na perceção do ego?” 
AS: Tal como há diferentes aspetos do eu, também há diferentes tipos de memória. Eu penso que em todas as línguas, quando falamos  coloquialmente de memória, falamos frequentemente  de memórias autobiográficas ou episódicas, como: “O que comi ao pequeno-almoço?” “Qual foi a última vez  que dei um passeio?” Este tipo de coisas. “Quando foi a última vez que tive  o prazer de falar com o David?” Este tipo de memórias  estão relacionados comigo como um indivíduo contínuo  ao longo do tempo. Esta é uma das formas em que  a memória influencia o sentido de eu e isso pode desaparecer e o eu ficar — voltamos ao ponto inicial. Há um caso famoso  de que falo no meu livro de um homem chamado Clive Wearing, que tinha uma doença cerebral,  uma encefalopatia, que, basicamente, o impedia de criar novas memórias autobiográficas. Ele perdeu o seu hipocampo, que é uma zona do cérebro  muito importante para esta função. A mulher dele descreveu-o como vivendo  permanentemente no momento presente de entre sete a trinta segundos. E logo tudo se renovava. É muito, muito difícil  colocarmo-nos na pele de alguém assim. Mas os outros aspetos  do seu ego mantiveram-se. 
Mas depois, há uma série  de outros aspetos da memória que provavelmente também interagem no que significa seres tu ou ser eu. Temos uma memória semântica. Apenas sabemos coisas, como sabemos a capital de França ou quem é o presidente, esperemos, não sei. Por vezes, é uma coisa boa.  Por vezes, não é uma coisa tão boa. Todas estas coisas que são codificadas na nossa memória também modelam o nosso sentido de nós mesmos. Finalmente, temos a memória percetiva. Não é que a experiência seja como  uma gravação que podemos voltar a ver, mas tudo o que experienciamos muda como percecionamos as coisas no futuro e como percecionamos as coisas,  no meu ponto de vista, também faz parte do que constitui o nosso eu. 
Na verdade, quero só dizer que uma das questões  realmente interessantes aqui, e uma das coisas em  que estamos a trabalhar... Imaginem um dia típico. Vivem o seu dia normal, vão tendo uma linha contínua de estímulos. Pestanejam, claro, mas, no geral, há um contínuo de informações a entrar. Mas quando nos lembramos desse dia, é geralmente em bocados,  em pedaços autobiográficos: “Eu fiz isto, fiz aquilo, fiz aqueloutro, isto aconteceu.” Então, uma questão muito importante é: “Como acontece este  processamento em partes?” “Como é que o cérebro  extrai episódios significativos “de um fluxo contínuo de informações?” E é um pouco preocupante lembrarmo-nos tão pouco de cada dia. É um processo muito seletivo, e é algo que acho que será muito útil não só para as bases da neurociência, mas, por exemplo, para ajudar  pessoas com perda ou danos de memória, porque podíamos,  por exemplo, ter uma câmara, e conseguir prever quais as partes  do dia que iriam constituir uma memória, e isso pode ser muito útil  para as pessoas e para quem cuida delas. 
DB: O cérebro, claramente,  tem um bom editor. No seu livro, chama as pessoas de “máquinas de sentir”. Podia explicar isso melhor? 
AS: Sim, certo. Bem, não somos computadores cognitivos,  somos máquinas de sentir. E penso que isto é verdadeiro  ao nível de tomar decisões, mas para mim, está mesmo  na base de compreender a vida, a mente e a consciência. E esta é a ideia de que — na ciência da consciência,  tendemos a considerar a visão — a visão é o caminho real  para perceber a consciência. A visão é fácil de estudar, e nós somos criaturas muito visuais. Mas, fundamentalmente, os cérebros evoluíram, desenvolveram-se e funcionam de momento a momento para manter o corpo vivo, sempre sob este profundo imperativo fisiológico de ajudar o organismo  a continuar a ser um organismo, a manter-se vivo. E esse papel fundamental do cérebro é o que, na minha opinião, deu origem  a qualquer dos tipos de perceção. Para conseguir  regular alguma coisa, é preciso conseguir  prever o que lhe acontece. É todo este aparelho de previsão e erro de previsão que está subjacente  à nossa experiência de perceção, incluindo o ego, tem origem neste papel muito ligado à fisiologia do corpo. E penso que é por isso  que somos máquinas de sentir, não somos apenas computadores que estão inseridos  em máquinas feitas de carne. 
DB: Obrigado, Anil,  por falar connosco hoje. 
AS: Eu gostei muito. 
- Muito obrigado, David. - Obrigado. 
