Para muitos de nós, eu incluída, os nossos dias parecem estar cheios de mil e uma interrupções. E isto acontece até nas nossas folgas. Se calhar já atendeu uma chamada na praia, mandou uma SMS ao seu patrão no supermercado ou um email a um colega durante um picnic com a família. Convencemo-nos que estes comportamentos não fazem mal nenhum. É só um email. Mas estas interrupções têm um grande custo, e existem boas estratégias que todos podemos tomar para proteger o nosso horário 
(Música) 
[The Way We Work] 
Estes momentos parecem tão insignificantes na altura, mas estudos mostram que levam a uma perda tremenda. O constante atrofiamento do trabalho nas nossas vidas privadas pode causar stress e afetar a nossa felicidade. Então qual é o custo? 
Num estudo, um grupo de investigadores recrutou pais que estavam com os seus filhos num museu. Alguns foram encarregados de usar o telemóvel o máximo possível; outros foram encarregados de usá-lo o mínimo possível. Depois da visita, os pais que usaram telemóveis acharam que a experiência teve muito menos significância. E também se sentiram mais isolados. 
Noutro estudo, turistas tiveram de usar telemóveis enquanto visitavam uma igreja emblemática não se lembravam de tantos detalhes. E no meu estudo, empregados que foram pagos pelo seu desempenho foram deixando de interagir tanto com os seus familiares e amigos, e interagindo mais com os seus colegas de trabalho e clientes. 
Estas interrupções também afetam as empresas. Empresas perdem 32 dias de produtividade devido à depressão dos seus empregados, que é normalmente causada pelo stress e exaustão da nossa cultura “imediata”. Apesar de saber estas coisas, até eu me foco nas minhas  “distrações urgentes de trabalho” acima de momentos de vida importantes. Recentemente, dei por mim a enviar uma SMS a um cliente a meio de uma consulta de ecografia do meu primeiro filho... client satisfeito, futura-mãe culpada. Quando uma pessoa soma todos estes momentos, a soma total é uma vida mais escassa em significância, alegria, conecção e até memórias. 
A pandemia fez-nos repensar os nossos modelos de trabalho, e agora temos a oportunidade de criar uma nova cultura que respeita horários. E desenvolve-se esta grande mudança através de pequenos passos que podem começar agora mesmo. O primeiro passo a desenvolver é reestruturar o descanso. Reflita, por um momento, nos pensamentos que tem quando pensa em “descanso”. Soa fantástico, certo? Mas na minha cabeça, começo logo a preocupar-me sobre não estar a ser produtiva ou desapontar os meus colegas. Quando estivermos de folga, temos de encontrar maneiras de desfrutar o momento presente e aproveitar o tempo livre disponível, em vez de o vermos uma barreira de improdutividade ao nosso trabalho. 
Uma estratégia específica que podemos tomar é começar a tratar os nossos fins-de-semana como férias. Na próxima sexta, anote como agiria e comparia-se se estivesse de férias. Talvez compre uma garrafa de vinho com o seu parceiro e veja clips online da torre Eiffel. Talvez possa visitar um café e assistir a música ao vivo. Ou talvez vá numa longa caminhada a meio do dia sem telemóvel ou diário. O plano não precisa de ser caro ou extravagante. 
Outra estratégia que pode tomar é criar barreiras claras para o seu tempo livre. Em vez de dizer, “Estou fora do escritório. Ligue-me quando quiser,” diga, “Vou estar offline. Ligue-me só se for urgente.” 
Para manter estes objetivos, trabalhem em equipa. Estabeleçam objetivos de equipa. Façam-no em público, recolhem dados e usem-nos para responsabilizarem. Estes objetivos podem ser, “Não vou ver os meus emails entre as 18h e as 20h;” “Esta semana, vou jantar quatro vezes em família;” ou “vou fazer jogging ao meio-dia.” Verifique o progresso da equipa para ver como está a correr. Se você ou os seus colegas não tiverem sucesso, trabalhem em equipa para concretizar os seus objetivos. 
Finalmente, gire melhor o seu tempo para evitar que o trabalho comece a  interferir com a sua vida. Na escola de Gestão, eu ensino estudantes a negociar os seus salários mas apercebo-me que quase nem falo acerca de negociarem o seu tempo. O que é que isto significa em prática_ Pode começar a ajustar os seus prazos de entrega de projetos. Se o seu cliente pedir entrega na manhã de segunda-feira, peça uma extensão de prazo até terça à tarde para evitar trabalhar no seu fim-de-semana bem merecido. E não se preocupe demasiado acerca da sua reputação. Qualidade é o que mais importa. Nos meus dados, empregados que pediam mais tempo relataram níveis mais baixos de stress e exaustão, e foram considerados mais emprenhados e profissionais pelos seus colegas. Estas são pequenas mas poderosas mudanças que não só reestruturam o nosso descanso, como também o recuperam. Assim que descobrir o profundo impacto que estas mudanças podem ter, você sentir-se-à motivado a exigir que outros respeitem e acomodem a sua abordagem ao seu tempo. Talvez até se sintam inspirados a reconstruir também os momentos fragmentados das suas vidas. 
