Imaginem dois universos. Num desses universos, a vida floresce em quase todos os planeta que encontram. A flutuar na atmosfera, a nadar nos mares, a relaxar nas praias. Vida em todas as formas de corpos e tamanhos imagináveis. 
Agora, imaginem o outro universo,  onde não há vida em parte nenhuma. As estrelas colidem, as galáxias explodem, meteoritos caem, asteroides por todo o lado. Muita ação, mas não há vida. Deixem-me perguntar-vos isto. Qual destes universos é mais interessante? Qual tem mais valor? 
Hoje quero levar-vos numa viajem para explorar e perceber as origens da vida, o futuro e para onde este segue e um dilema ético que pode surgir ao perceber isto. Primeiro, a Terra foi formada há 4,5 mil milhões de anos. A vida surgiu de forma rápida, nas primeiras poucas centenas de milhões de anos. Por isso, foi muito rápido. Pensem nisso da próxima vez que se sentirem a envelhecer muito rapidamente. 
(Risos) 
Não estão. Estão bem. E é assim que a vida funciona. A vida é um tipo de química. Um tipo de química que explora soluções em resposta aos problemas no seu ambiente químico mais próximo. A vida é um tipo de química que retém a memória destas soluções durante milhares de milhões de anos. E a primeira solução da vida foi um grande truque: copiar-se. Isto é espantoso. Não estaríamos aqui hoje se outros truques não se tivessem seguido, tal como usar a água como fonte de eletrões, ou como usar o nitrogénio na atmosfera, como absorver luz do sol. Isto é notável. Eu sou química que explora. Eu sou química que desafia degradação e sou química que relembra. Eu sou parte de uma herança inquebrável com quatro mil milhões de anos, uma linhagem com 4 mil milhões de anos. A vida torna o nosso planeta num sítio incrivelmente exótico, comparando com o resto do universo conhecido. Este é o único sítio, que se saiba, onde ela existe. De facto, podem estudar física, química ou geologia em qualquer parte do universo. Mas este é o único sítio onde podem estudar biologia. Bem, eu sou bióloga no único planeta onde se pode ser bióloga em todo o universo. 
(Risos) 
E isso torna o meu trabalho muito especial, certo? Porque o nosso planeta oferece uma oportunidade incrível para explorar as suas origens e perceber como a química se converteu num agente capaz de responder ao seu ambiente e estimular-se em resposta a isso. Nos últimos 10 anos, tem havido notáveis inovações no nosso entendimento da origem da vida. Lidero um laboratório de investigação, e estamos a usar modelos estáticos e matemáticos e sistemas evolucionários e deduzimos as sequências de ADN antigo, que existiu há milhões de anos. Depois, sintetizamos estas moléculas antigas de ADN e construímo-las dentro de organismos. Pela primeira vez, somos capazes de ativar moléculas que existiram há milhares de milhões de anos para perceber e capturar o que aconteceu na altura. Também estimulamos e simulamos ambientes antigos no laboratório para perceber os ingredientes ao criá-los a partir de água, ar e rochas. Isto significa aceder e obter química que é singular. Isto significa a habilidade de conduzir reações químicas para que criem química que se organize. Isto significa ter à mão química que pode agir de forma natural. Isto é notável. 
Poderão perguntar: O que fazemos quando temos este conhecimento nas mãos? Isto poderá significar que podemos unir os pontos entre não-vivos e vivos e perceber como a química se traduz e transforma e transaciona num comportamento natural. Isto significa que poderemos obter a receita da vida, se quiserem, e ter essa receita possibilitaria unir os pontos entre estes dois estados, vivos e não-vivos. Isto pode possibilitar-nos a olhar para ambientes particulares e saber quanto tempo falta para a revolução química deste ambiente particular. Podemos ser capazes de estudar diferente planetas e luas e avaliá-los, avaliar a sua química, e saber quanto tempo falta até ao surgimento de vida. E poderemos ser capazes de guiar os nossos telescópios no vasto céu em formas mais concretas na nossa missão de encontrar vida no universo. 
Podemos também perguntar: O que podemos fazer com este conhecimento? E se não estivéssemos apenas a avaliar? E se estivéssemos também a interagir com estes planetas e luas? E se conseguíssemos semear vida ao longo de milhares de milhões de planetas na galáxia? Isto não seria semeá-los com vida da Terra. Isto não seria construir um organismo da Terra e pré-adaptá-lo e pré-condicioná-lo de forma a que exista e sobreviva noutro corpo planetário. Não. Isto não seria terraformação, alterar o ambiente deste outro planeta, para que o que enviarmos para lá sobreviva. Não. Isto seria fortalecer e não colonizar estes ambientes. Isto seria deixá-los explorar a sua própria química única para expressar as suas reações únicas ao dar-lhes os ingredientes em falta. Não seria para mandar vida para lá para ficarmos geneticamente ligados ou algo que nos seja conhecido. Isto seria permitir-lhes fazer o que talvez deviam ter feito desde sempre, mas faltavam-lhes ingredientes. Não é faltar no sentido de que eles próprios não tinham algo importante, no sentido de que eram insuficientes, certo? Mas e se pudéssemos enviar o tempero? O molho especial. Dar um empurrãozinho. Para que reagissem com o que já está presente neste corpo planetário para que a vida seja despertada, em conjunção e concordância com a sua própria história, percurso e origem deste corpo planetário, sem a nossa interferência, sem a nossa direção, para que nada do que façamos possa direcionar isto de qualquer forma. Isto seria desencadear um processo que se pode desenvolver sozinho durante milhares e milhões de anos no futuro. 
Mas devíamos fazê-lo? Esta é uma proposta extraordinária. E revela um dilema extraordinário sobre o que significa estar vivo. A vida, enquanto sistema químico capaz de formular, e em alguns casos responder a questões sobre a sua própria existência, tem uma responsabilidade ou devia ter uma proibição contra promover mais vida pelo universo fora? Fazemos isto só porque podemos? E qual é a diferença ética, e existe uma diferença ética, entre espalhar uma vida terrestre em particular e espalhar um potencial de vida por toda a galáxia? E onde está esta diferença? 
Hoje, tentei mesmo trazer-vos algumas respostas e não tenho nenhumas. Mas vejo os factos a moldarem-se à minha frente. Um universo repleto de vida é interessante porque ter uma solução nas mãos tem valor, certo? Mas talvez a espontaneidade e imprevisibilidade de descobrir novos químicos e novas formas de vida também seja interessante e tenha os seus próprios méritos únicos. Mas traçamos um rumo e deixamos a evolução natural descobrir os próprios ambientes locais onde quer que seja no cosmos? Penso que um universo vazio neste sentido pode ser visto como uma grande palete em aberto para soluções à espera de serem descobertas. Mas devemos fazê-lo apenas porque podemos? 
É muito importante ter em conta que a Terra é a nossa única casa e é um bom planeta. E conhecem o ditado: “É difícil encontrar bons planetas”. 
(Risos) Sei disso, tenho andado à procura de um. Quando encontrar um bom, aviso-vos. 
Explorar as origens pode permitir-nos 
compreender verdadeiramente a vida à nossa volta, e talvez um exercício como este nos possa encorajar a apreciar e compreender verdadeiramente como a vida surgiu em primeiro lugar. Acredito mesmo que para compreendermos a biologia e vida à nossa volta, temos mesmo de compreender como a vida aconteceu neste planeta em primeiro lugar. Acredito mesmo muito nisto. Vou dedicar a minha vida a isto. 
E antes de sair para ir fazer isso, 
de volta ao meu laboratório de que senti falta, deixem-me perguntar-vos novamente: Um universo vazio e um com muita vida. Qual é mais interessante para vocês? 
Obrigada. Muito obrigada. 
Teşekkürler. 
(Aplausos) 
