Mohammadpur sempre teve  uma relação especial com o clima. Localizada junto à parte norte da baía de Bengala, esta vila costeira foi construída a norte do delta do rio Meghna. Os deltas são formados pelas terras depositadas pelos sedimentos transportados pelos rios quando esses rios se encontram com uma massa de água maior. Os deltas dos rios são ecossistemas extremamente férteis, capazes de sustentar uma agricultura abundante e uma rica vida marinha. Contudo, as suas margens vão mudando gradualmente à medida que os rios  depositam mais sedimentos e as tempestades os fazem desaparecer. Os moradores de Mohammadpur  estão acostumados a gerir os fluxos e refluxos desta constante  mudança de paisagem. Mas, ultimamente, a abundância de ciclones intensos causou inundações frequentes, que impedem a agricultura e a pesca. As inundações também corroem a linha costeira, levando a que tempestades posteriores  arrastem consigo as terras. Desde 2000, o rio Meghna avançou pela linha costeira uns 2,5 quilómetros, obrigando muitos residentes a mudar-se para o interior ou para cidades próximas. 
Mohammadpur não é o único lugar  onde um clima errático tem causado impacto na mobilidade da população. Os repetidos tufões nas Filipinas têm  afastado milhares das suas casas. Nas ilhas Fiji, o governo já está a mudar muitas aldeias costeiras para o interior, para se antecipar à prevista perda de território E nos EUA, a fusão do <i>permafrost </i>está a causar a erosão de partes da costa do Alasca. 
De certa forma, isto não é novidade. A Humanidade sempre se adaptou a alterações climáticas e mudou-se para regiões que sustentavam melhor o seu estilo de vida e a sua subsistência. Contudo, os cientistas creem que o aumento de condições meteorológicas extremas é o resultado da rápida mudança climática da Terra. O aquecimento global eleva a frequência e a força das tempestades, das cheias e das secas, ao mesmo tempo que derrete as calotas polares e eleva o nível do mar. 
Estes fatores estão a mudar o meio ambiente muito mais depressa que antes. Mesmo para as comunidades dotadas de recursos para agir, o ritmo variável e a natureza destas  mudanças dificultam a sua adaptação. E as populações vulneráveis que sofrem maior impacto com a alteração climática são, frequentemente,  as menos responsáveis. Muitos dos que sofrem  com a mobilidade climática vivem em comunidades  agrícolas e piscatórias em países que emitem muito menos emissões do que os seus homólogos maiores. 
O Bangladesh é um desses países. A nação tem uma combinação única de geografia de baixa altitude e regiões costeiras densamente povoadas. A maioria destas famílias costeiras  vulneráveis, tal como as de Mohammadpur, não querem abandonar as suas casas e o seu estilo de vida. E para outros, abandonar o Bangladesh, não é financeiramente viável. Então, para ficar com as suas comunidades, muitos deslocaram-se uns metros para o interior e construíram casas mais resistentes em terrenos mais altos ou sobre estacas. Outros tentaram comprar terrenos em novas ilhas que surgiram no delta, enquanto alguns enviaram familiares em busca de trabalho em cidades vizinhas. Várias pessoas podem ainda  atravessar fronteiras internacionais, se tiverem família, amigos ou contactos de trabalho no outro lado. Mas muitos destes residentes que partiram anseiam voltar a casa. Infelizmente, não se sabe quando é que  estas catástrofes climáticas irão abrandar e o governo tem vindo sempre a adiar  projetos para construir diques de betão que impeçam futuras erosões. 
Noutras partes do mundo, ninguém poderá deslocar-se para o interior ainda que queira. As nações baixas das ilhas do Pacífico,  de Quiribati e de Tuvalu, têm apenas 811 km2 e 26 km2, respetivamente, pelo que migrar significaria mudarem-se para um país completamente diferente. Em vez disso, os seus governos  e cidadãos uniram-se física, legal e politicamente para fortificarem os seus países. Os moradores das ilhas estão a plantar florestas de mangais costeiros e a construir zonas de terras de baixa  altitude com areia dragada, de forma a protegerem-se contra tempestades e a subida do nível do mar. Além disso, os governos das ilhas têm feito pressão a nível global sobre os países com elevados níveis  de emissões para reduzirem a poluição e assumirem a responsabilidade da alteração climática. 
Os desafios enfrentados por cada comunidade costeira são únicos, e a diversidade de experiencias pessoais pode tornar a mobilidade climática um fenómeno difícil de medir e definir. Mas, à medida que novas comunidades são ameaçadas pelo clima extremo, é mais importante que nunca ouvir aqueles que estão na linha da frente desta crise. [Não nos estamos a afogar, estamos a lutar] 
