Quanta comida do frigorífico vais deitar fora antes de chegar à mesa? Pães de hambúrguer do piquenique do verão passado? Leite que passou do prazo? Cenouras que perderam a crocância? Todos os anos, países de todo o mundo desperdiçam enormes quantidades de comida e os EUA são um dos piores infratores. 37% do desperdício alimentar dos EUA vem de residências individuais. E cerca de 20% desses produtos alimentares são deitados fora porque os clientes não sabem interpretar as datas que vêm nos rótulos. Mas a maioria desses alimentos ainda está perfeitamente em segurança de ser comida. Então, se as datas nos alimentos não nos dizem que algo está estragado, o que é que nos dizem? 
Antes do século XX, o caminho entre o sítio onde os alimentos eram produzidos e onde eram comidos era muito mais direto, e a maioria das pessoas sabia avaliar a frescura através da visão, cheiro e toque. Mas quando os supermercados começaram a vender comidas processadas, as datas dos produtos tornaram-se mais difíceis de avaliar. Nos EUA, os mercados usavam códigos de embalagem para controlar o tempo que a comida tinha estado nas prateleiras, e na década de 1970, os clientes exigiram ter essa informação. Muitos supermercados adotaram um sistema ainda hoje em vigor que se chama de “data aberta”, em que os fabricantes ou revendedores rotulam produtos com datas que indicam a frescura ideal. Esta métrica vaga não tinha nada a ver com datas de validade ou segurança alimentar. Na verdade, raramente são decididas com qualquer tipo de sustentação científica, e normalmente não há nenhuma regra sobre que datas utilizar. A maioria dos fabricantes e revendedores é motivada a definir estas datas cedo, garantindo que os clientes vão saborear a comida no seu melhor e voltar para mais. 
Isto significa que é seguro comer vários alimentos muito depois das datas marcadas. Bolachas, massa e outros alimentos antigos de longa duração podem saber a velho, mas não são um risco para a saúde. Os alimentos enlatados podem manter-se seguros durante anos, desde que não mostrem sinais de terem saliências ou ferrugem. As baixas temperaturas dos congeladores controlam as bactérias que causam intoxicação alimentar, preservando jantares devidamente guardados por tempo indefinido. Os ovos no frigorífico ficam bons até cinco semanas, e mesmo que se estraguem, o teu nariz avisa-te. E é sempre possível detetar produtos estragados pelo mau odor, superfícies viscosas e bolor. 
Claro que há alguns casos em que é melhor prevenir do que remediar. O USDA recomenda comer ou congelar carne nos dias seguintes à compra. Após as datas impressas, saladas prontas a comer, carnes frias e queijos não pasteurizados têm mais probabilidade de transportar bactérias patogénicas que podem não ser detetadas num teste de cheiro ou sabor. E as datas no leite em pó para bebés são reguladas para indicar segurança. Mas apesar de alguns destes rótulos funcionarem conforme pretendido, a maioria não funciona. Numa sondagem de 2019 de mais de mil americanos, mais de 70% disseram que usam os rótulos das datas para decidir se os alimentos são comestíveis, e quase 60% disseram que deitam fora os alimentos que passam das datas. Os restaurantes e mercados também fazem o mesmo. 
Para evitar todo este desperdício, muitos especialistas defendem leis que exijam que os rótulos das datas usem uma de duas frases padronizadas: “Consumir de preferência antes de” para indicar frescura, ou “Consumir até” para indicar segurança. Esta solução não é perfeita, mas alguns investigadores dos EUA estimam que definir estas normas a nível federal pode evitar quase 398 000 toneladas de desperdício alimentar anualmente. Os mercados também podem tentar remover rótulos de datas dos produtos frescos, como fizeram vários supermercados no Reino Unido para encorajar os consumidores a decidirem sozinhos. Muitos especialistas também defendem políticas que incentivem os mercados e restaurantes a doar comida que não vendem. Atualmente, a confusão com as datas levou, pelo menos, 20 estados dos EUA a restringir a doação de alimentos após a data rotulada, apesar de os governos federais protegerem estas doações. Países como a França vão ainda mais longe, exigindo que muitos supermercados doem a comida que não vendem. 
Independentemente do que o teu governo decidir, a melhor forma de evitar desperdício alimentar é comer o que compras! E não te esqueças de que os teus olhos, nariz e língua são tudo o que precisas para decidir se os alimentos estão bons para consumo ou para a caixa de compostagem. 
