(Precursão rítmica) 
Bem-vindos a África. Somos um continente rico em diversidade. Temos diversos recursos. No Botsuana, podem encontrar diamantes. Na República Democrática do Congo, há cobalto. No Gana, encontram ouro. E depois há a comida. Os africanos encontraram inúmeras maneiras de preparar arroz, desde o arroz <i>jollof</i> no ocidente  ao arroz pilafe a leste. Mas para mim, a nossa diversidade mais fascinante  é a nossa dança. 
Sou apaixonada por dança africana,  porque sou dançarina e sou africana. Mas também acredito que dança é importante, e através dela podemos aprender tanto sobre a nossa História e de onde vimos. Se a cultura africana fosse uma árvore, então, penso que a dança  seria as suas flores. 
Se olharem para a dança africana atual, descobrem que a sua base é a dança tradicional, e estas danças foram criadas com um propósito específico, para uma cerimónia ou celebração. Podia ser para a guerra, para a chegada à idade adulta,  ou para trazer a chuva. Mas o que é mesmo interessante sobre a dança tradicional é que através dela podem quase criar um mapa visual das migrações. E assim, através do movimento de uma dança, podem traçar o movimento de um povo. E apesar de África ser o continente mais diverso no mundo, também estamos mais ligados do que pensamos. 
Vamos olhar para o Reino Zulu. No século XIX, os zulu eram guerreiros poderosos, governados por um rei feroz e brutal, chamado Shaka Zulu. Uma vaga migratória do povo zulu deslocou-se para as regiões leste e central de África, onde se tornaram conhecidos  por novos nomes, como os ngonis e os ndbele do Zimbabué. Três danças destas regiões são conhecidas como <i>indlamu</i>, <i>isitshikitsha</i> e <i>ngoma</i>. Estas danças são basicamente primas. Vêm de famílias distintas, mas quando as observam, veem o poder do reino de Shaka Zulu. 
[dança <i>isitshkitsha</i> dos ndebele] 
[dança <i>ngoma</i> dos ngonis] 
[dança<i> indlamu</i> dos zulu] 
Na República Democrática do Congo, encontramos o grupo étnico luba, e eles têm uma dança tradicional  chamada <i>mutuashi</i>. Esta dança era usada  para celebrar a fertilidade e visualmente é a libertação da cintura da mulher. Mas um dançarino de <i>mutuashi</i>, alguém que executa uma dança tradicional, pode causar muita controvérsia para aqueles que adotaram uma perspetiva  mais conservadora do ocidente. 
Na Zâmbia, encontramos o grupo étnico  bemba, que são descendentes do povo luba, por isso partilham danças parecidas. Uma das danças dos Bembas chama-se <i>infunkutu</i>, e é normalmente vista numa cerimónia de pré-casamento de uma mulher. Tal como a do povo luba, esta dança é um celebração da mulher. 
[Dança mutuashi baluba] 
(Precursão e voz) 
[Dança infunkutu bemba] 
Se nos mudarmos para  a região leste de África, encontramos uma amostra de ombros. A <i>eskista</i> da Etiópia supostamente  imita os movimentos duma cascavel, e é muito parecida com outras  duas danças de países vizinhos: a <i>quda</i> da Eritréia e a<i> kamabeka</i> do Quénia. Estas são executadas a ritmos diferentes, mas os seus movimentos principais permanecem os mesmos. 
[Dança<i> kamabeka </i>bukusu] 
(Música) 
[Dança <i>eskista </i>etíope] 
[Dança <i>quda</i> tigrínia] 
Não eram só as migrações que  separavam grupo étnicos as fronteiras artificiais também que foram desenhadas por  alguns homens estrangeiros. No Gana, Togo, Benin e Nigéria não existiam outrora distinções  fronteiriças ou restrições de movimento. O povo jeje encontra-se em  cada um deste países, e dançam algo chamado a <i>togo atsia,</i> que é dançada ao som do padrão  de precursão <i>togo atsia</i>. Apesar destes povos estarem separados, a sua dança mostra uma persistência das suas ligações culturais. 
[Dança <i>togo atsia</i>] 
(Precursão rítmica) 
Nelson Mandela disse, “A beleza curiosa da música africana é que anima, mesmo se estiver a contar uma história triste.” E penso que isto também é verdade em relação à dança. Restaurou a nossa esperança em  tempos de dificuldades. 
Na África do Sul durante o <i>apartheid</i>, os mineiros de ouro não podiam falar enquanto trabalhavam, por isso, usavam as botas para criar batimentos rítmicos como comunicação, uma dança conhecida como “gumboot dance”. E depois existe o <i>zouglou</i>. Nos anos 90 na Costa do Marfim, estudantes universitários que enfrentavam  dificuldades económicas dançaram ao erguerem as mãos ao céu,  como que a suplicarem. Dançamos para celebrar o que superamos. E assim descobrimos que a dança  não é só movimento, mas que movimento personifica  sentimento e expressão porque carrega consigo  História e histórias. 
Atualmente, a nossa dança africana moderna é uma fusão de estilos que vieram de diferentes  danças tradicionais que continua a celebrar e a apreciar a nossa herança cultural. Vejam. 
(Música eletrónica) 
[Dança sangra] 
[Dança legwork] 
[Dança network] 
[Dança zanku] 
[Dança ndombolo] 
Obrigada por partilharem hoje  comigo a dança africana. 
