O meu trabalho é encontrar extra-terrestres por isso, como devem imaginar, passo muito tempo a pensar neles, imaginando mulherzinhas verdes a conversar com as amigas, e nos transportes para o trabalho. E isso leva-me a pensar nos astrónomos extraterrestres que tentam encontrar-nos no céu noturno. Se esses astrónomos extraterrestres tivessem olhado na nossa direção, no século passado, teriam ficado entusiasmados ao detetar sinais inequívocos de tecnologia. Mas, e se tivessem olhado há 10 000 anos, antes de haver sinais de civilização? Teriam encolhido os ombros, desiludidos e iriam procurar vida noutros locais? 
Não, e nós também não devemos fazer isso. Pelo contrário, podemos procurar outros sinais de vida. Por exemplo, se esses astrónomos extraterrestres nos tivessem procurado há 10 000 anos. podiam ter reparado que, mesmo sem haver sinais de civilização, ainda tínhamos um aspeto levemente invulgar. Por um lado, temos uma atmosfera espessa e temperada, mas, mais digno de nota, temos grandes quantidades de oxigénio na atmosfera. Isso seria um sinal de vida encorajador para os meus colegas extraterrestres porque a composição da atmosfera da Terra só se pode manter através de um ciclo biológico. Então, nós podemos fazer o mesmo que eles? Eu estou a tentar. 
Sou astroquímica quântica, o que significa que estudo as interações quânticas entre moléculas e luz no espaço. Não podemos ver estas moléculas nem sequer os planetas onde elas estão. Mas, quando a vida duma estrela passa por uma atmosfera estranha, cada molécula no seu interior deixa uma impressão digital única na luz estelar que eu vejo daqui. Eu observo as impressões digitais das moléculas que podem estar associadas à vida, ou seja, as bio-assinaturas, como complexos poluentes ou oxigénio. No contexto da Terra, o oxigénio  é uma bio-assinatura maravilhosa, mas o oxigénio não é muito difícil de fazer. Se, por exemplo, o nosso sol tiver diferentes níveis de radiações, ou se os nossos oceanos se evaporarem devido a um efeito de gases de estufa fugitivos, podem acumular-se na atmosfera grandes quantidades de oxigénio, sem biologia. Aí, o oxigénio seria um falso positivo pra a vida. Por isso, talvez o oxigénio não seja a solução para encontrar vida fora da Terra. Então, o que será? 
A minha especialidade é procurar moléculas invulgares que têm menos falsos positivos para a vida porque, como são muito difíceis de fazer, raramente aparecem espontaneamente. A minha favorita dessas moléculas invulgares é a fosfina. Quando comecei a trabalhar com a fosfina há cerca de 10 anos, as pessoas tinham dificuldade em pensar nela como uma bio-assinatura. Era conhecida por ser  uma molécula horrível, de malcheirosa, que implica com a capacidade da vida em usar oxigénio, o que a torna uma assassina muito eficaz. Graças a esta interação fatal com o metabolismo do oxigénio, a fosfina é usada amplamente como pesticida e, pela mesma razão, foi usada muitas vezes na guerra química. A fosfina pode ser criada em laboratório, e também é produzida em ambientes extremos, encontrando-se no interior dos gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno. Mas nos planetas rochosos como a Terra, raramente se cria acidentalmente. Por isso não podemos esperar encontrar fosfina na Terra. No entanto, encontramos. Encontramo-la em pequenas quantidades por todo o globo, e nalguns locais estranhamente em grande quantidade, em locais como pântanos e arrozais e leitos de lagos e nos excrementos e intestinos da maioria dos animais. O que todos estes ecossistemas têm em comum é que todos eles contêm organismos que não dependem do oxigénio, por isso, a fosfina não pode prejudicá-los. A fosfina parece ser produzida, com segurança e entusiasmo, em todos estes ecossistemas pobres em oxigénio. 
Então, eu pensei  que talvez outros planetas 
com vida menos dependente de oxigénio do que nós também podem ter fosfina, enquanto bio-assinatura popular. Esta é  melhor coisa sobre a fosfina. Como é tão difícil de produzir em planetas rochosos como a Terra, quase não tem falsos positivos para a vida. Assim, comecei a considerar o que é que os telescópios precisavam para detetar fosfina em planetas na nossa vizinhança galáctica. Porque, se a detetássemos, eu achava que podia significar vida. Eu imaginava um planeta distante, um paraíso tropical com pouco oxigénio com uma biosfera rica em fosfina que um dia pudéssemos detetar. 
Mas acontece que a fosfina era um pouco mais excitante do que inicialmente eu tinha imaginado porque, meses depois de eu ter acabado esta obra, uma astrónoma, Jane Greaves, entrou em contacto comigo, pedindo ajuda para interpretar um sinal do telescópio,  que vemos aqui em brnco. Meses depois, outro sinal, que se vê aqui em laranja, que parecia indicar que a fosfina podia estar presente num planeta não muito distante, aqui mesmo ao lado, nas nuvens de Vénus. 
Então, tínhamos conseguido? Tínhamos encontrado vida para além da Terra? Não sabemos. Estas observações em Vénus tinham ruído e eram preliminares, por isso, ainda precisamos de confirmar, sem sombra de dúvida, que o sinal é real. E, se é real, precisamos de garantir que não é outra molécula  que imita a impressão digital da fosfina. E se é um fosfina sem ambiguidade, ainda precisamos de saber o que ou quem a está a fabricar, porque talvez seja verdade que a vida é a melhor explicação para a presença da fosfina num planeta como Vénus. Mas talvez não seja assim e haja uma forma exótica, não biológica, de produzir fosfina em que ninguém ainda pensou. 
Seja como for, por mais  que eu goste da fosfina, não penso que é assim que vamos encontrar vida. A deteção de vida provavelmente não provém duma única molécula, por mais especial que ela seja. Temos de detetar toda uma biosfera que produza uma complexa rede de gases que, em conjunto, formem uma mensagem que diga: “Estamos vivos!” Como mostra a história de Vénus, a deteção de vida será certamente incerta, mas Vénus é o laboratório perfeito para testarmos as teorias das biosferas e como interpretá-las. Se aprendermos a compreender atmosfera de Vénus e a mensagem que ela contém, podemos encontrar se E vamos fazer isso no final desta década. 
Mas não será a última vez que temos a descoberta de um bio-assinatura num planeta potencialmente habitável. Da próxima vez, não conseguiremos ir lá apenas e verificar. A minha maior preocupação não é que não encontremos um planeta habitável na nossa vida. O que me preocupa é que apontemos os nossos telescópios muito dispendiosos diretamente para um planeta habitado e não percebamos que o conseguimos. Mas estou determinada a não falhar a vida. Sim, vou procurar os sinais não ambíguos mas improváveis de tecnologia, como complexos poluentes. Vou procurar os sinais de vida, agradáveis e familiares, mas possivelmente enganadores, como o oxigénio. E, claro, vou  continuar a procurar as bio-assinaturas estranhas e escassas, como a fosfina. Mas, fundamentalmente,  vou procurar todas as moléculas que podem dar uma imagem  abrangente dum biosfera. Tudo isso para que um dia reconheçamos a vida quando a virmos. 
Obrigada. 
