2021 é um ano crucial na luta contra a alteração climática. Segundo o Acordo de Paris, este ano, os governos têm de tomar decisões fundamentais e atualizar os planos de ação climática Estaremos no bom caminho para cumprir o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius? Há boas e más notícias, e os pormenores são importantes, portanto, vamos explorar os dados. 
Ao abrigo do Acordo de Paris de 2015, todos os países concordaram em manter o aumento  da temperatura média global muito abaixo dos 2 graus Celsius, e desenvolver esforços  para o limitar a 1,5 graus Celsius. Cientistas, incluindo os do IPCC, dizem que, para conseguir este limite de 1,5 graus, as emissões globais dos gases com efeito de estufa têm de ser reduzidas a metade até 2030 e as emissões de CO2 têm de atingir o zero líquido por volta de 2050, um desafio tremendo mas realizável. 
As informações aqui apresentadas são do Climate Action Tracker, um projeto que monitoriza os compromissos e ações nacionais e datam de 1 de junho de 2021. 
As boas notícias referem-se a daqui a 30 anos. Os governos estão a comprometer-se cada vez mais a atingir o zero líquido, em meados do século. o que está em linha com os objetivos do Acordo de Paris. Já há 131 governos nacionais que adotaram metas de zero líquido ou estão a discuti-las. Essas metas cobrirão 73% das atuais emissões totais de gases com efeito de estufa. Incluem a União Europeia, que inseriu esta meta numa lei, o Reino Unido, a África do Sul, o Japão, a Coreia do Sul, o Canadá, a China e os EUA, assim como vários  pequenos países insulares. Mas as ações atualmente implementadas de todos os países pouco mais farão do que impedir um aumento das emissões futuras. Isso pôr-nos-á numa trajetória para um aquecimento estimado de 2,9 graus Celsius em 2100 e levará a uma alteração climática catastrófica. 
Segundo o Acordo de Paris, os países devem avançar com compromissos formais, atualizados, para cumprirem a meta global. Nos últimos meses, a União Europeia, os EUA, a China e outros fizeram isso, e calculamos que a sua implementação pode levar-nos ao aquecimento de 2,4 graus Celsius em 2100. Já é melhor, mas ainda está longe dos 1,5 graus. 
Há um caso mais otimista. Consideremos que todos os compromissos e intenções declaradas passam a políticas, e são seguidas por ações, incluindo as metas de zero líquido em debate ou não oficialmente reconhecidas segundo o Acordo de Paris. Isso poria o mundo numa trajetória para manter o aquecimento global em 2 graus Celsius em 2100. Os aumentos adicionais ambicionados podem pôr ao alcance, teoricamente, a meta dos 1,5 graus Celsius. 
Mas isso é em teoria. As atuais ações e planos a curto prazo ainda não acompanham as intenções a longo prazo. Estas são as más notícias. Ninguém ficará admirado com o facto de que as ações a curto prazo que podem determinar os resultados eleitorais, são mais tímidas do que  os compromissos a longo prazo que os governos terão  de executar no futuro. 
Mas serão os próximos nove anos que determinarão se vamos alcançar a meta do zero líquido em meados do século. O primeiro marco é 2030. Nesse ano, as emissões devem estar reduzidas a metade para o mundo entrar na via dos 1,5 graus Celsius. Se falharmos este marco de 2030, será muito mais caro ou mesmo impossível conseguir cumpri-lo depois. Mas com as ações atualmente propostas, mesmo as metas anunciadas nos últimos meses, as emissões globais dificilmente estabilizarão ate 2030, deixando um enorme fosso. 
Não está no espírito do Acordo de Paris que os países mantenham a mesma meta que cinco anos antes, ou que apresentem metas diferentes que não contribuam para emissões mais baixas. Infelizmente, é esse o caso até aqui para a Austrália, o México, a Rússia, Singapura, a Suíça e o Vietname. A Coreia do Sul e a Nova Zelândia dizem que vão apresentar novas metas antes do final do ano. Talvez o pior caso seja o Brasil, cuja nova meta anunciada levará ao aumento das emissões em relação à sua promessa anterior. Estes países precisam  de reconsiderar as suas decisões. Por fim ainda há dezenas de países que não fizeram novos anúncios para 2030, como a Indonésia e a Índia, embora ainda tenham algum tempo antes da Conferência COP26 para formalizar as suas propostas. Em resumo, a imagem é mais esperançosa do que nunca, se olharmos para as metas anunciadas para 2050, mas as atuais ações climáticas a curto prazo não nos levarão lá. 
Há boas notícias noutras áreas, Por vezes somos surpreendidos pela velocidade a que todo um setor pode mudar. Por exemplo, as energias renováveis são o novo normal para a nova capacidade de produção de energia a nível mundial porque é mais barata. Muitos fabricantes de automóveis estão a mudar para viaturas elétricas, e o setor financeiro parece ter iniciado o movimento para deixar de investir em combustíveis fósseis. Os primeiros países anunciaram que vão deixar de extrair combustíveis fósseis totalmente. 
O mundo precisa de encontrar esse tipo de liderança séria, ousada, para nos enfiar num caminho mais seguro. E não se esqueçam de que, se não chegarmos aos 1,5 graus Celsius, a próxima meta não vai ser de dois graus, mas de 1,6 graus Celsius. Os impactos do aquecimento global que já se estão a sentir atacarão de forma não linear,  exponencialmente. No que se refere à alteração climática, todos os anos, todas as ações e  todos os décimos de grau são importantes. 
