Sabemos que as florestas  desempenham um papel essencial na regulação do clima da Terra. Contudo, a maior parte do que sabemos sobre essas florestas baseia-se em coisas que medimos acima do solo. Historicamente, os ecologistas como eu viriam a este local e contariam o número de troncos que encontravam e identificariam que espécies eram. Hoje, provavelmente, teríamos uma ideia das características desta floresta vista do espaço. Tudo isto faz todo o sentido. É acima do solo que se dá a fotossíntese. A fotossíntese é a forma como o carbono e a energia entram nas florestas. A fotossíntese é como as árvores podem sequestrar o dióxido de carbono da atmosfera. 
Também sabemos que a maioria das árvores estão limitadas pelos recursos do solo, como a água ou os nutrientes. Para aceder a esses recursos, as árvores têm de criar raízes. E as árvores criam uma quantidade incrível de raízes. Assim, nalgumas florestas, pode haver tanta ou mais biomassa abaixo do solo, nas estruturas das raízes, como acima do solo, nos troncos e nas folhas. Décadas de investigação tornaram hoje muito claro que a ecologia subterrânea — ou seja, o que se passa no solo — é essencial para perceber como funcionam estes sistemas florestais. 
Mas, se seguirmos estes sistemas de raízes até às suas extremidades finais, as pontas mais delgadas do sistema das raízes, e observarmos de perto — quero dizer, extremamente perto, com um microscópio — descobrimos um local onde a árvore deixa de ser uma planta e começa a ser um fungo. A maioria das árvores no planeta forma uma parceria, aquilo a que os cientistas chamam simbiose, com os fungos micorrízicos. 
Na minha opinião, esta é uma das imagens mais notáveis jamais captadas destes organismos. Ao fundo, em cima, vemos aquela densa rede de hifas de fungos. São essencialmente como raízes mas para os fungos, em vez das plantas. Em primeiro plano, vemos aqueles incríveis esporos fúngicos, multinucleados, que parecem irreais mas não são. São as estruturas reprodutivas dos fungos. Estes têm o potencial de virem a ser novas redes fúngicas. 
Os fungos micorrízicos são essenciais para a forma como, basicamente, todas as plantas acedem aos limitados recursos do solo. Há mesmo indícios de que, quando as plantas fizeram a primeira transição evolutiva, passando de viver na água para viver em terra, desenvolveram esta simbiose antes mesmo de desenvolverem raízes. Assim, esta parceria entre florestas e os seus fungos é muito antiga, e remonta a centenas de milhões de anos. 
Contudo, estas raízes não têm de ser só fungos. Por exemplo, também podem ser bactérias. Estas estruturas circulares nesta rede de raízes chamam-se nódulos radiculares. Albergam bactérias simbióticas, que fixam o azoto. Estas bactérias convertem o azoto da atmosfera em formas que as plantas podem usar, e, por sua vez, alimentam o crescimento da planta. 
A complexidade da biologia do solo também ajuda. Estas simbioses das raízes estão inseridas numa rede ainda mais complexa de decompositores livres bacteriais e fúngicos, de Arqueias e Protistas, animais microscópicos do solo, vírus... A biodiversidade das comunidades do solo é espantosa. Sabemos hoje que uma mão cheia de solo pode conter mais de 1000 espécies microbianas coexistentes. 
Assim, tudo isto é o microbioma do solo. Este é o microbioma da floresta, este é o microbioma do ecossistema. Assim, as inovações na tecnologia de sequenciação do ADN iluminaram finalmente  o solo subterrâneo. O ADN permitiu-nos ver estas comunidades microbianas com um pormenor sem precedentes e, só recentemente, a uma escala sem precedentes. 
Apesar destas inovações, eu diria que ainda não temos respostas para questões aparentemente simples, como esta: “Que aspeto tem um microbioma florestal saudável?” Estamos mais perto de responder a uma pergunta como esta para pessoas do que para plantas. O Projeto do Microbioma Humano domina nesta área. Assim, o corpo humano é um ecossistema microbiano. Cada um de nós alberga uma comunidade incrivelmente diversa de bactérias nas nossas entranhas, e isso tem um profundo impacto na nossa saúde. Isto foi descoberto pelos microbiólogos médicos que usam a sequenciação do ADN para caracterizar as bactérias que vivem em centenas  de corpos das pessoas. E também anotam as características saudáveis dessas mesmas pessoas. Assim, estão doentes? E, se sim, com quê? Qual é a pressão sanguínea? A saúde digestiva? A saúde mental? E, combinando todas essas informações, esses microbiólogos começam a poder identificar combinações de bactérias ligadas à saúde e à doença. Essas análises formam um roteiro para o desenvolvimento das terapias de transplante do microbioma humano, o que é essencialmente um restauro do ecossistema, mas para o nosso microbioma  dos intestinos. Estas terapias estão hoje a caminho do mercado para tratar algumas das doenças atuais. 
A partir deste trabalho, a minha equipa perguntou: “Como seria levar a abordagem do Projeto do Microbioma Humano “e aplicá-lo à floresta?” “O que podemos descobrir sobre o ciclo de carbono da floresta?” “Podemos identificar locais “onde possamos fazer restauro  microbiano subterrâneo, “e combater assim as alterações climáticas?” 
Há três anos que trabalhamos com cientistas da floresta de toda a Europa para fazer isso exatamente. Em cada um destes locais, os cientistas têm vindo a documentar a saúde das florestas há décadas. Pedimos aos nossos parceiros de investigação de florestas para irem a cada uma dessas florestas e colherem uma amostra do solo, que depois nos enviaram para o nosso laboratório em Zurique para podermos extrair o ADN e sequenciá-lo, o que nos permitiu perceber quais os micro-organismos e, em particular, os fungos, que vivem em cada uma dessas florestas. Por fim, usámos a estatística e  aprendizagem de máquinas para relacionar os micro-organismos que vivem numa floresta com uma métrica de saúde florestal importante: o ritmo de crescimento da árvore e o seu ritmo de captação de carbono acima do solo. 
Depois de controlarmos os fatores ambientais do crescimento da árvore — qual o grau de calor e de humidade de cada um desses locais, assim como outras variáveis que sabemos que controlam a fertilidade do local — descobrimos que o tipo de fungos que colonizam as raízes dessas árvores está ligado à tripla variação  da velocidade a que essas árvores crescem, e à rapidez com que removem  o dióxido de carbono da atmosfera. Dito de outra forma, essas correlações implicam que podemos ter dois tipos de pinhais, lado a lado, que vivem sob o mesmo clima, crescem no mesmo solo. Mas, se um deles for colonizado pela comunidade correta de fungos nas suas raízes, pode crescer três vezes mais depressa do que o pinhal adjacente. Mais ainda,  estes padrões não são influenciados pela presença de espécies ou estirpes de alto rendimento. Pelo contrário, são influenciados por comunidades de fungos totalmente diferentes. 
Assim, estas assinaturas fúngicas deixam-nos muito interessados porque implicam uma oportunidade de gerir, e, em muitos casos,  recuperar o microbioma fúngico da floresta. 
Por exemplo, será que podemos reintroduzir a biodiversidade fúngica numa floresta madeireira explorada? Será que, assim, as árvores crescerão mais depressa? Será que capturam mais carbono nos seus troncos e no solo? Será que podemos refazer o solo e combater a alteração climática? Estas perguntas não são retóricas, já começámos a fazer isto. 
Este é um dos nossos testes de campo em Gales, no Reino Unido. É feito em colaboração com a organização de beneficência chamada Carbon Community. Tem 11 hectares, e está configurado como um teste de blocagem controlada. Isto é análogo à forma  como se testam medicamentos mas, neste caso, os sujeitos são as árvores em vez de pessoas. Fazemos uma experiência muito simples. Ou plantamos árvores, da forma habitual — ou seja, plantando diretamente as plântulas no terreno — ou plantamos árvores  e, na altura da plantação, juntamos uma pequena porção de solo. Mas não se trata de um solo qualquer. É solo retirado duma floresta que as nossas análises identificaram como contendo fungos de alto rendimento. Como reintroduzimos  biodiversidade microbiana nalguns desses locais, observámos que, nos locais onde fizemos isso, pudemos acelerar o crescimento das árvores e a captura do carbono nos troncos das árvores em 30 a 70%, consoante as espécies das árvores. Ou, dito de outra forma, quando manipulámos e revivificámos a microbiologia invisível de um local, começámos a mudar a forma como todo o local funciona. 
É importante realçar que ficámos muito entusiasmados com estas descobertas, mas também percebemos que ainda é muito cedo. Queremos ver muitos mais testes de campo, em grande escala, e muitos mais locais com muitos mais anos de dados. 
Contudo, para além destes resultados sobre carbono e clima, penso que o mais interessante aqui é que podemos fazer isto com combinações de micro-organismos selvagens e nativos  ricos em biodiversidade. E, embora estejamos a dirigir esta abordagem para a floresta, em princípio, este tipo de ciência tem potencial para se alargar a todas as nossas paisagens trabalhadas. Podemos começar a levantar questões, como: “Como é um microbioma agrícola  saudável?” Pensando tanto na agricultura de alimentos como da floresta. 
Há razões para pensar  que uma abordagem pela biodiversidade pode ser especialmente poderosa aqui. Isso porque a história da agricultura tem sido um exercício de reducionismo. Identificámos espécies de plantas de alto rendimento e depois estirpes, a seguir reproduzimo-las seletivamente e agora modificamo-las geneticamente. Por fim, plantamos esses organismos em amplas monoculturas. Portanto, uma única espécie de plantas, tanto quanto podemos ver. Para ser claro, isto tem provocado agrossistemas muito produtivos. Mas também produziu ecossistemas que começamos a descobrir que são extremamente frágeis. Sistemas cada vez mais sensíveis a períodos de climas extremos, a agentes patogénicos novos, sistemas extremamente dependentes dos contributos químicos. Estamos a começar a perceber que temos externalidades graves. 
Nós hoje temos os dados, ferramentas informáticas e a teoria ecológica para começar a enveredar por outra via, virar-nos para a biodiversidade e a complexidade. Quando o fizermos, coloca-se a questão de, se revivificarmos os nossos solos, podemos fazer dos alimentos e das florestas reservatórios da biodiversidade subterrânea. Neste processo, será que podemos aumentar as colheitas e a captura do carbono e todos os outros serviços que pedimos a estes ecossistemas? 
Penso que há muitas razões para termos esperança. Penso que também não devemos ficar surpreendidos por estes organismos microscópicos terem o potencial para efeitos tão grandes, à escala do ecossistema. Isso porque já há muito que sabemos que as florestas são fungos. São comunidades de uma enorme biodiversidade de bactérias, de arqueias e de protistas e de animais e de vírus  microscópicos do solo. O solo é literalmente a base dos ecossistemas terrestres e a vida microbiana que habita o solo representa algumas das comunidades de vida na Terra mais complexas e de maior biodiversidade. 
Pela primeira vez, a sequenciação do ADN está a iluminar o solo subterrâneo. Está a permitir-nos ver estes organismos com um pormenor sem precedentes e a uma escala sem precedentes. Imaginem estudar a biologia das plantas mas nunca sabermos que estamos a olhar para uma sequoia ou para um musgo Sphagnum. E depois, de repente, sabemos. É o que acontece neste momento na microbiologia ambiental. Por isso, devemos esperar que esta revolução na nossa compreensão destes organismos microscópicos, em especial dos fungos, transforme a forma como entendemos e como gerimos os nossos ecossistemas de forma fundamental. 
Obrigado. 
(Vivas e aplausos) 
